O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, revelou nesta sexta-feira, 30 de janeiro, a adoção definitiva do orçamento do Estado para 2026 através de um decreto. Essa decisão poderá ser implementada se seu governo conseguir evitar as moções de censura programadas para a próxima segunda-feira. O trâmite orçamentário reflete a instabilidade política que o país enfrenta desde a antecipação das eleições de 2024, deixando a Assembleia Nacional fragmentada em três blocos ideológicos.
Lecornu, que assumiu o cargo em setembro de 2025, havia prometido à oposição socialista que submeteria o orçamento à votação no Parlamento. Apesar de ter obtido a aprovação inicial para o financiamento da Previdência Social, as discussões sobre as finanças do Estado estão paralisadas. Para contornar essa situação, o primeiro-ministro ativou o artigo 49.3, permitindo a implementação do orçamento sem votação parlamentar, um recurso utilizado pelo governo desde 2022.
As moções de censura se tornaram uma possibilidade real para desafiar a adoção do orçamento. O partido de esquerda radical A França Insubmissa já apresentou uma moção, que será analisada na próxima segunda-feira. Com o objetivo de evitar a censura, o governo incluiu medidas sociais no projeto orçamentário, que visa equilibrar as contas públicas da segunda maior economia da União Europeia e reduzir o déficit para 5% do PIB até 2026.

