O governo do Irã implementou um bloqueio quase total da internet e da telefonia, em resposta a uma onda de protestos que se espalhou por mais de 100 cidades, resultando em pelo menos 34 a 45 mortes, de acordo com organizações de direitos humanos. As manifestações, que começaram há cerca de duas semanas, foram impulsionadas pela deterioração da economia e pela recente desvalorização da moeda local, o rial.
As restrições de comunicação, registradas pela NetBlocks, visam conter a crescente insatisfação popular. Relatos indicam que as manifestações se intensificaram, com mais de 2.200 prisões e confrontos entre manifestantes e forças de segurança em locais como Teerã e Mashhad. O governo, enquanto promete um subsídio mensal para alimentos, enfrenta críticas por sua resposta à crise econômica, caracterizada por alta inflação e colapso da moeda.
As tensões internas também atraíram atenção internacional, especialmente após declarações do presidente dos Estados Unidos, que indicaram a possibilidade de intervenção caso o governo iraniano não respeite os direitos dos manifestantes. O Irã, por sua vez, rejeita essas alegações, considerando-as uma forma de ingerência externa. Com a comunicação severamente limitada, a obtenção de informações independentes é cada vez mais difícil, mas os protestos parecem continuar, sinalizando um período de instabilidade significativa para o regime.

