Um estudo recente publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas evidencia um aumento significativo na mortalidade por câncer de cabeça e pescoço no Brasil, especialmente entre mulheres e moradores das regiões Norte e Nordeste. A pesquisa analisou dados de 1980 a 2023 e identificou que, embora a doença seja mais frequente entre homens, as mortes em outros grupos sociais apresentam um crescimento alarmante, revelando profundas desigualdades regionais.
Os dados indicam que as disparidades socioeconômicas, como renda e acesso à saúde, influenciam o desfecho da doença. Enquanto o Sudeste registrou uma redução nas taxas de mortalidade entre homens, o Nordeste vivenciou um aumento nas mortes por diferentes tipos de câncer de cabeça e pescoço. A oncologista Ludmila Koch destaca que a ideia de que esse câncer afeta predominantemente homens tabagistas pode prejudicar o diagnóstico precoce em mulheres e outras populações vulneráveis.
Além disso, a pesquisa aponta para uma crescente incidência de tumores de orofaringe, associada ao papilomavírus humano (HPV). Essa tendência enfatiza a necessidade de medidas preventivas, como vacinação e aumento do acesso a serviços de saúde, para reduzir as taxas de mortalidade. O estudo ressalta a importância do diagnóstico precoce, que pode melhorar significativamente as chances de tratamento eficaz e a qualidade de vida dos pacientes.

