O acampamento Marielle Vive, localizado em Valinhos (SP), ocupa uma área de 1,3 km², equivalente a aproximadamente 180 campos de futebol. Desde abril de 2018, o espaço é ocupado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e abriga cerca de 800 pessoas, conforme informações do movimento.
O acampamento é caracterizado por construções simples e uma grande horta em formato de mandala, que se tornou o centro da produção de alimentos das famílias. A agricultora Sueli Moreira destacou:
““A primeira necessidade nossa é manter a produção para atender a nossa comunidade. E depois o excedente a gente leva para as feiras.””
Apesar do avanço na produção agrícola, os moradores enfrentam a falta de saneamento básico, dependendo de caminhões-pipa e galões para o abastecimento de água. A artesã Conceição de Maria Soares, residente desde 2018, expressou sua insegurança em viver em uma área em disputa, mas mantém esperanças de regularização:
““O tempo que você está aqui, e sem saber se tem certeza… E hoje tem uma resposta que você tem condição já de futuramente ter sua terra, é maravilhoso.””
O acampamento está no centro de um impasse entre o Governo Federal e a prefeitura de Valinhos. O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT), afirmou que o decreto municipal que declarou as áreas como de utilidade pública é ilegal. A ocupação se estabeleceu na Estrada do Jequitibá, na Fazenda Eldorado, um mês após o assassinato da vereadora Marielle Franco.
Em novembro de 2025, um cadastro realizado pela Superintendência do Incra em São Paulo identificou 186 famílias no acampamento, sendo que um estudo aponta a área para o assentamento definitivo de 62 famílias. O governo defendeu a compra da Fazenda Eldorado e do Sítio Lajeado como uma solução pacífica para o conflito fundiário, evitando uma crise social na região.
O edital para os assentamentos deve ser publicado em março, com inscrições previstas para abril e maio. As áreas declaradas de utilidade pública pela Prefeitura de Valinhos somam 3 km² e estão localizadas em regiões estratégicas para a preservação ambiental, dificultando a expansão urbana e a implantação de infraestrutura de saneamento básico.
Além disso, a fazenda ocupada é alvo de ação judicial para reintegração de posse, com uma sentença já transitada em julgado desde 16 de julho de 2024. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) informou que o processo aguarda manifestação do Ministério Público antes de ser apreciado pela magistrada.

