Acre registra 15 mudanças de nome e gênero para feminino em 2025

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado no próximo domingo (8), dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) mostram que a retificação de nome e gênero do masculino para feminino em cartório tem sido um caminho para o reconhecimento legal de mulheres trans no Acre.

A psicóloga Dahlia Pagu, de 24 anos, teve seu nome retificado em 2025 e afirmou que esse momento representou mais do que uma mudança burocrática.

““Gosto muito de nomear enquanto um renascimento. Foi e segue sendo um momento muito importante de percepção da minha própria autonomia e protagonismo de vida, quando o nome que eu escolhi para mim é socializado e legalizado enquanto cidadã brasileira”,”

disse.

De acordo com dados repassados pela entidade, 15 pessoas fizeram a alteração de nome e gênero para o feminino em 2025 no estado. Em 2026, uma mudança já foi registrada. A retificação permite que pessoas trans atualizem nome e gênero diretamente em cartório, sem necessidade de decisão judicial, garantindo que os documentos reflitam a identidade de gênero da pessoa.

Dahlia explicou que, embora o documento não defina a identidade de uma pessoa, o reconhecimento formal traz segurança no cotidiano.

““Eu me sinto mais confortável na hora de apresentar meus documentos quando necessário, realizar consultas médicas, demandar um atendimento. Eu sei que quando meu nome for chamado, vai ser aquele que me identifico”,”

contou.

Antes da mudança, ela tinha receio de passar por constrangimentos ao apresentar documentos com um nome que não correspondia à sua identidade.

““Muitas vezes o que vem junto são perguntas constrangedoras e momentos desconfortáveis. Agora tenho segurança para existir, estou amparada e existo legalmente para o Estado”,”

afirmou.

Dahlia destacou que a escolha do nome e a decisão de retificar os documentos fazem parte de um processo individual.

““Meu nome sempre foi um ponto muito delicado da minha história e demorei bastante tempo para escolhê-lo. Por muito tempo eu quis tornar minha transição mais confortável para outras pessoas e relevei diversas violências”,”

disse.

A psicóloga também se destacou em 2024 ao se tornar a primeira trans a se formar em psicologia pela Universidade Federal do Acre (Ufac). Durante a graduação, ela percebeu a ausência de referências trans na área e decidiu levar o tema para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que abordou o amor monogâmico entre travestis.

Para Dahlia, celebrar o Dia Internacional da Mulher com os documentos retificados tem um significado simbólico.

““Apesar do que a sociedade diga com seus ataques transfóbicos, para o Estado, para mim e para quem importa, eu sou e sigo sendo uma mulher”,”

afirmou. Ela deixou uma mensagem para outras mulheres trans que pensam em passar pelo processo de retificação:

““Não se cobrem nesse processo e levem o tempo que for necessário. Não é uma obrigação, é uma escolha. Escutem o próprio desejo sem sentir culpa. Não é um papel que define quem vocês são, mas, se for da vontade, que realizem esse desejo”,”

completou.

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