O Tribunal do Júri absolveu Felipi Macedo Rocha de Queiroz da acusação de tentar matar seis policiais durante um confronto no mar de Santos, no litoral de São Paulo, em 2021. A decisão foi proferida após o julgamento que ocorreu entre a tarde de quarta-feira (4) e a madrugada de quinta-feira (5), no Fórum de Santos.
Apesar da absolvição da tentativa de homicídio, Felipi foi condenado a oito anos e dois meses de prisão por resistência, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Ele foi preso em janeiro de 2021, acusado de atirar contra agentes do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) durante uma operação que buscava o soldado desaparecido Bruno de Oliveira Gibertoni, que foi encontrado morto posteriormente.
Durante a operação, drogas e armas foram apreendidas no barco onde Felipi estava. A juíza Thais Caroline Brecht Esteves, da Vara do Júri/Execuções de Santos, destacou que a autoria dos crimes de resistência e tráfico ficou comprovada, mas os jurados afastaram a intenção de matar. “As vítimas narraram os fatos de forma coerente, descrevendo a abordagem policial e a resistência do acusado”, afirmou a juíza.
Após sucessivos adiamentos do julgamento, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou a revogação da prisão preventiva de Felipi, que foi acolhida pela Justiça em dezembro de 2025. Um alvará de soltura foi expedido, permitindo que ele aguardasse o trânsito em julgado em liberdade, com a pena a ser cumprida inicialmente em regime semiaberto. A juíza determinou também a detração penal, que abate os quatro anos, dez meses e 23 dias que ele já cumpriu da pena total.
O advogado de Felipi, Mário Badures, declarou que a absolvição da tentativa de homicídio era esperada e que ele irá recorrer da pena referente ao porte de arma e ao tráfico, discordando do entendimento da Justiça. Badures ressaltou que Felipi é réu primário, não tem ligação com organizações criminosas e que não havia vestígios de disparo recente na arma apreendida.
O caso ocorreu quando equipes do 2º Baep realizavam uma operação para averiguar a denúncia sobre o paradeiro do policial militar Bruno de Oliveira Gibertoni, que estava desaparecido. Durante a abordagem, os agentes foram recebidos a tiros por suspeitos que fugiram em embarcações. Um dos suspeitos, identificado como Wallace dos Santos Dorvalino, foi atingido e morreu, enquanto Felipi se entregou.


