O advogado Roberto Podval, que defende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso pela Polícia Federal em Brasília, declarou que a prisão do banqueiro é “desnecessária”. Segundo Podval, a decisão se baseia em fatos pretéritos que não justificariam uma prisão preventiva.
Em nota divulgada pela defesa, o analista de política Pedro Venceslau informou que o regime de isolamento extremo ao qual Vorcaro está submetido impõe “sofrimento psicológico ao detento”. O advogado destacou que Vorcaro está detido em condições semelhantes às de líderes de organizações criminosas, como o PCC e o Comando Vermelho, que ficam isolados para evitar comunicações externas.
Roberto Podval expressou confiança de que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, reavaliará a situação de Daniel Vorcaro. A defesa argumenta que a prisão preventiva só se justifica para evitar que o custodiado atrapalhe investigações ou coaja testemunhas, o que, segundo o advogado, não é o caso do banqueiro.
Um dos principais pontos criticados pela defesa é a comunicação entre advogado e cliente. Inicialmente, o presídio não permitia que as conversas ocorressem de forma reservada, exigindo que fossem gravadas. Após contestações, a defesa conseguiu autorização para realizar conversas sem gravação.
Venceslau destacou que muitos advogados consideram essa medida inconstitucional. “A comunicação reservada entre advogado e cliente é o mínimo que se espera de um país democrático”, afirmou a nota da defesa. A questão da conversa reservada gerou comoção entre profissionais do direito, sendo criticada até pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.


