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Advogado com nanismo denuncia discriminação em teste físico para delegado em Minas Gerais

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O advogado Matheus Menezes, de 25 anos, denunciou discriminação durante o Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Ele afirma que pediu adaptações para a realização do teste, mas teve seu pedido ignorado e foi eliminado na etapa.

Matheus, que possui nanismo, relatou que já havia sido aprovado nas provas objetiva, discursiva, oral e nos exames biomédicos. No entanto, foi considerado inapto na fase dos exames biofísicos, que avaliam a aptidão física dos candidatos. “Eu decidi fazer essa denúncia para dar voz aos nossos direitos, que foram desrespeitados. Não foi só comigo, foram vários candidatos PCD”, afirmou.

O advogado destacou que apresentou laudos médicos e solicitou formalmente a adaptação do teste físico à banca organizadora, mas não obteve resposta. Um dos testes exigia salto mínimo de 1,65 metro na prova de impulsão horizontal, o que, segundo ele, é incompatível com sua condição física. “Era a coisa mais simples que a banca poderia fazer, reduzir essa distância para uma distância compatível com a minha altura”, disse.

Após não conseguir atingir a marca mínima exigida no salto, Matheus não pôde concluir as demais provas do teste físico. Ele também levou o caso ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), mas a manifestação foi arquivada. “A Constituição e a lei garantem adaptação para pessoas com deficiência. Mesmo assim, fomos submetidos ao mesmo teste físico, o que levou à nossa eliminação de forma injusta”, declarou.

Após tornar o caso público, Matheus recebeu mensagens de apoio e afirmou que a repercussão encorajou outras pessoas com deficiência a lutarem pelos seus direitos. “Graças a Deus a repercussão foi positiva e muita gente se sentiu encorajada em seguir atrás do sonho depois do que eu fiz”, disse.

A Polícia Civil de Minas Gerais, em nota, informou que Matheus foi aprovado nas provas objetiva, discursiva, oral e nos exames biomédicos, mas considerado inapto nos exames biofísicos. A corporação ressaltou que os testes físicos estão previstos no edital e têm o objetivo de verificar as condições físicas dos candidatos para o cargo de delegado.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) também se manifestou, afirmando que os exames biofísicos seguiram as regras do edital e que não havia previsão de adaptação às condições individuais dos candidatos.

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