O governo do Afeganistão, liderado pelo Talibã, acusou o Paquistão de realizar um ataque aéreo em um hospital em Cabul, que teria resultado na morte de mais de 400 pessoas e ferido centenas. O ataque ocorreu no Hospital Omid, uma importante instalação de reabilitação de drogas, segundo informações da Reuters.
Ainda de acordo com a Associated Press, civis, incluindo crianças, também foram mortos em ataques transfronteiriços que se intensificaram nas últimas semanas. Os números de vítimas não foram verificados de forma independente.
O ataque acontece em meio a uma campanha militar em rápida escalada entre Paquistão e Afeganistão, que se intensificou nas últimas três semanas. Os ataques aéreos e confrontos transfronteiriços se expandiram por várias províncias, com o Paquistão afirmando que está atacando bases do Tehrik-e-Taliban Paquistão (TTP), um grupo militante responsável por ataques dentro do Paquistão e designado como organização terrorista pelos EUA.
O governo do Talibã acusou Islamabad de violar a soberania do Afeganistão. Em um briefing da ONU na quarta-feira, um porta-voz informou que o conflito entrou em sua terceira semana, com impactos generalizados sobre civis. Mais de 115.000 pessoas foram deslocadas, mais de 300 abrigos danificados ou destruídos e pelo menos 25 instalações de saúde fechadas ou interrompidas devido aos combates, segundo agências humanitárias da ONU.
O Paquistão negou ter como alvo um hospital, afirmando que a operação atingiu infraestrutura militante. O porta-voz do Primeiro-Ministro, Mosharraf Zaidi, declarou que o Paquistão busca defender e proteger seu povo ao atacar terroristas e suas infraestruturas, que são incubadas e nutridas pelo Talibã afegão.
Zaidi afirmou que o ataque visou armas e munições no Camp Phoenix em Cabul, insistindo que “não existem hospitais civis no Camp Phoenix” e que os relatos sobre uma instalação de reabilitação atingida podem ser devido a “explosões secundárias” de armas armazenadas.
A ONU condenou o ataque dois dias após sua ocorrência, com o Secretário-Geral António Guterres, através de um porta-voz, condenando fortemente o ataque aéreo que “resultou na morte e ferimentos de civis em um hospital” e pedindo uma investigação independente.
Analistas criticaram a resposta da ONU, afirmando que não corresponde à gravidade do incidente. Hillel Neuer, Diretor Executivo da UN Watch, comentou que a resposta da ONU foi tímida em comparação com condenações rápidas de ataques dos EUA e de Israel. Ele destacou a hipocrisia da ONU ao não demonstrar a mesma urgência em relação ao ataque ao hospital em Cabul.
O advogado australiano de direitos humanos, Arsen Ostrovsky, também criticou a falta de indignação global, chamando o ataque de “um massacre absoluto” e observando a ausência de protestos mundiais.


