Estudantes do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, realizaram um protesto nesta terça-feira (10) em frente à reitoria da escola, exigindo a retomada de aulas sobre violência de gênero e educação sexual. O ato foi motivado pelo estupro coletivo de uma aluna, que evidenciou a necessidade de discutir esses temas nas escolas.
A Polícia Civil investiga dois outros casos de estudantes do Pedro II atacadas por integrantes do mesmo grupo envolvido no estupro coletivo. Um adolescente é apontado como mentor das emboscadas. A estudante Ana Belarmino, porta-voz do movimento, destacou a confusão de uma das vítimas sobre a violência sofrida, reforçando a urgência de aulas sobre o tema.
“”Se existisse, de fato, esse conhecimento, a gente não teria uma aluna sem saber se tinha sido abusada ou não”, afirmou Ana.”
Ela criticou a pressão de movimentos como o “escola sem partido” que, segundo ela, silenciaram o debate sobre violência de gênero na escola. Ana também lembrou a invasão de parlamentares em 2019, que buscavam material didático com conotação política, mas não encontraram nada ilícito.
O estudante Gabriel Pinho Leite Monteiro, presidente do grêmio do campus Humaitá, também pediu medidas contra o assédio moral e sexual. Ele enfatizou que a educação deve formar novos indivíduos que não perpetuem a violência contra as mulheres.
“”Precisamos que o espaço educacional seja direcionado a formar novos indivíduos, principalmente novos homens, que não violentem mais as mulheres”, disse Gabriel.”
No Brasil, leis como o Programa Saúde na Escola e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) preveem a inclusão de temas de gênero e educação sexual. No entanto, há resistência de alguns setores que alegam que isso estimula a atividade sexual precoce.
Os estudantes também cobraram a implementação de uma política contra o assédio, aprovada em 2025, mas que ainda não havia sido efetivada. A reitoria criou uma comissão para lidar com casos de assédio, mas a professora Priscila Bastos afirmou que a escola não está preparada para lidar com essas situações.
“”A reitoria criou entraves burocráticos institucionais para se esquivar do problema”, disse Priscila.”
O Coletivo Resistência, formado por pais e ex-alunos, apoia a criação de uma política de combate ao assédio e acredita que a sociedade precisa se mobilizar para garantir a proteção de meninas e meninos.
A reitoria do Colégio Pedro II afirmou que o enfrentamento e prevenção de violências são tratados com seriedade e que ações de acolhimento e apuração de condutas inadequadas estão em andamento.
“”Não há silêncio institucional”, garantiu a instituição.”

