O sistema institucional brasileiro enfrenta uma grave crise, incapaz de lidar com as tensões e escândalos recentes. Desde o mensalão até a Lava-Jato, passando pelo impeachment de Dilma Rousseff e a eleição de Jair Bolsonaro, o país vive uma sequência de episódios que desafiam a democracia.
Os atos golpistas de 8 de janeiro e a judicialização da política, impulsionada por partidos e governo, somam-se ao ativismo do Judiciário. Recentemente, escândalos envolvendo o INSS e o Banco Master intensificaram a crise.
A falta de soluções imediatas é evidente. O tempo do Supremo Tribunal Federal (STF) é lento e, em momentos de autodefesa, age com cautela. O governo, por sua vez, evita confrontos, focando nas próximas eleições, enquanto o Legislativo se preocupa em renovar mandatos.
Os vazamentos seletivos, que ocorrem em alta velocidade, representam um risco significativo. Eles podem impactar o ambiente político de maneira devastadora, tornando o que era chocante em rotina. A democracia, portanto, não só perde eficiência, mas também legitimidade.
““O que foi chocante ontem torna-se rotina amanhã. E a democracia perde não só eficiência, mas legitimidade.””
Os protagonistas da crise parecem optar por atrasar a resolução dos problemas, na esperança de que a situação se normalize. No entanto, a normalização do inaceitável é um risco crescente, à medida que escândalos se acumulam mais rapidamente do que as instituições conseguem processar.
O Brasil se encontra em um estado de suspensão, entre a contenção da crise e a expectativa de um novo fato que possa mudar o cenário. Essa incerteza é perigosa e pode levar a uma aceitação do inaceitável, comprometendo ainda mais a legitimidade da democracia.

