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Assistente social expõe realidade de agressões contra mulheres em SP; interior registra 1 caso a cada 14 min

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A assistente social Lucinete Aparecida Santiago Lima, conhecida como Lucy Lima, de Presidente Prudente (SP), expõe a realidade de agressões contra mulheres no interior de São Paulo. Nos últimos 10 anos, o estado registrou mais de 357 mil casos de lesão corporal dolosa contra mulheres, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Entre 2015 e 2025, cerca de 59% dos casos ocorreram no interior do estado. Somente em 2025, foram registrados 38.437 casos, o que equivale a uma média de 105 casos por dia, ou quase um caso a cada 14 minutos. Em janeiro de 2026, a SSP atualizou os dados e registrou 3.772 casos, quase 12% a mais do que no mesmo período do ano anterior.

Lucy Lima, que viveu anos de violência doméstica, relembra sua trajetória. “Quando de fato consegui me libertar, depois de um momento de desespero e tentativa de suicídio, onde eu estava com uma garrafa de álcool nas mãos e o fósforo na outra, ‘ouvi’ uma voz dizendo ‘não faça isso’”, conta.

““Comecei a conversar com a Lucy no espelho, que me disse palavras de empoderamento, de ânimo e, naquele momento, senti uma fé muito grande dentro de mim, como se a Lucy estivesse nascendo.””

Lucy estava grávida de seis meses na época, fruto de um estupro cometido pelo marido. Ela já tinha três filhos com o mesmo homem. “Eu não tinha uma rede de apoio e também não podia contar com ninguém, os filhos sofriam junto comigo”, relata.

A mudança na vida de Lucy ocorreu quando ela passou em um concurso público e começou a trabalhar na área de gestão. “Mudou minha história e a dos meus filhos”, celebra. Em 2013, começou a faculdade de serviço social, incentivada pela mãe, que nunca soube do que ela passava.

Lucy finalizou o curso em 2017 e, desde então, atua na área, ajudando outras mulheres a lidarem com situações semelhantes. Ela planeja abrir uma ONG para oferecer apoio. “A cura está em um propósito: ser a rede de apoio de alguém”, afirma.

A professora e pesquisadora Carol Simon, doutora em Geografia pela Universidade de São Paulo (Unesp), analisa a situação da violência contra a mulher no interior. “O feminicídio é um fenômeno geográfico composto por injustiças espaciais e complexidades territoriais”, explica.

““As mulheres em situação de violência em cidades pequenas e médias têm grande dificuldade de estabelecer rotas de fuga da violência.””

Carol ressalta que a violência doméstica no interior deve ser analisada em sua complexidade. “Precisamos de soluções regionalizadas para dar conta de um país de dimensões continentais.”

A luta das mulheres por direitos, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, é contínua. Carol destaca que, apesar das leis, a efetivação das políticas públicas ainda é insuficiente para proteger as mulheres. “Nós temos leis que são excelentes, mas ainda não temos a efetivação das políticas públicas para que realmente possamos salvar a vida das mulheres”, conclui.

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