Ataque a escola no Irã resulta em 168 mortes e gera condenação internacional

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O ataque a uma escola de meninas no Irã, que resultou na morte de 168 crianças, ocorreu no primeiro dia da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no último sábado (28). A tragédia evidencia os horrores que o conflito no Oriente Médio pode causar, especialmente na vida de meninas e mulheres na região.

Uma multidão vestida de preto compareceu ao velório das vítimas, realizado na terça-feira (3). As imagens das valas abertas para receber os caixões, acompanhadas por milhares de pessoas, circularam globalmente. Além das crianças mortas, mais de 90 ficaram feridas durante o ataque, que aconteceu enquanto as alunas estavam em aula na cidade de Minab, no sul do Irã.

A socióloga Berenice Bento, professora da Universidade de Brasília (UnB), destacou que o ataque demonstra que a guerra não está relacionada à promoção dos direitos humanos ou à democracia. As mulheres no Irã enfrentam diversas restrições, como o uso obrigatório do véu e limitações de mobilidade, que requerem autorização de familiares.

““Quando você analisa as manifestações que aconteceram, nenhuma está dizendo que quer a volta da monarquia, ou que os Estados Unidos e Israel vão libertá-las. Nunca. O que você tem é uma sociedade que está lutando”, afirmou Berenice Bento.”

A jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh, doutora em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo (USP), ressaltou a luta das mulheres iranianas por seus direitos, mencionando o movimento Mulher, Vida e Liberdade, criado após a morte da estudante Mahsa Amini em 2022. “O povo iraniano, os povos árabes, o povo palestino devem decidir seu destino, não os EUA e Israel”, comentou.

O ataque à escola foi amplamente condenado pela comunidade internacional. O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu uma investigação “rápida, imparcial e minuciosa” sobre o ocorrido. Até o momento, os Estados Unidos e Israel não reconheceram a autoria do ataque, com a Casa Branca afirmando que está investigando o caso.

O jornal norte-americano New York Times, após análise de imagens de satélite e publicações nas redes sociais, indicou que a escola foi severamente danificada por um ataque de precisão, que ocorreu simultaneamente a ofensivas dos EUA contra uma base naval da Guarda Revolucionária Islâmica. O major-general português Agostinho Costa sugeriu que o bombardeio pode ter sido um erro de alvo, considerando a proximidade da escola em relação ao objetivo militar.

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