Jogadoras da seleção iraniana de futebol desertaram após a eliminação na Copa da Ásia Feminina na Austrália, gerando um dilema para outras atletas do país. Elas se tornaram a face pública do Irã em meio a um regime opressivo, que enfrenta bombardeios aéreos das forças dos EUA e Israel.
No início do torneio, as jogadoras se recusaram a cantar o hino nacional, mas acabaram voltando a fazê-lo após ameaças às suas famílias. A situação das jogadoras é complexa e seu futuro permanece incerto, assim como o das suas famílias.
Nos últimos anos, dezenas de atletas iranianos enfrentaram dilemas semelhantes. Em 2021, o levantador de peso Amir Assadollahzadeh desertou durante o Campeonato Mundial IPF na Noruega, após se recusar a vestir uma camiseta com a imagem de Qasem Soleimani. Ele recebeu ameaças de que sua vida e a de sua família estariam em perigo caso retornasse ao Irã.
Assadollahzadeh escapou do hotel da equipe e buscou asilo na Noruega, temendo pela sua vida. Ele afirmou que, se tivesse retornado, enfrentaria prisão e tortura. Ao longo dos últimos 20 anos, muitos atletas iranianos tiveram motivos para desertar, mas a decisão é sempre pessoal e complexa.
Os atletas frequentemente enfrentam intimidação e são monitorados por oficiais de segurança durante competições no exterior. Alguns são forçados a deixar garantias financeiras, o que penaliza suas famílias se decidirem não retornar. A pressão para não desertar é intensa, e muitos atletas consideram suas opções por anos antes de agir.
Shiva Amini, ex-jogadora da seleção feminina, também enfrentou dificuldades. Após ser fotografada jogando sem hijab na Suíça, ela recebeu ameaças e percebeu que não poderia voltar ao Irã. Amini destacou que a equipe feminina é tratada como simbólica e que as atletas não têm valor real no sistema esportivo iraniano.
Agora, as jogadoras que desertaram para a Austrália enfrentam a realidade de que podem nunca mais ver suas famílias. A situação delas reflete a dura realidade de muitos atletas iranianos que buscam liberdade em meio a um regime opressivo.

