Atlético-MG solicita esclarecimentos a Daniel Vorcaro sobre aporte de R$ 300 milhões

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O Atlético Mineiro notificou o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, sobre a origem de um investimento de R$ 300 milhões na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube. A notificação foi enviada em outubro de 2025 e exigiu esclarecimentos sobre todos os beneficiários do fundo Galo Forte, utilizado por Vorcaro para adquirir parte do Atlético-MG.

Na mensagem, o clube estipulou um prazo de 48 horas para que Vorcaro apresentasse informações detalhadas sobre os beneficiários do fundo, além de outros fundos que integravam a cadeia de participação. Os investimentos em questão foram realizados em 2023 e 2024, com Vorcaro injetando R$ 100 milhões inicialmente e, posteriormente, mais R$ 200 milhões.

Com o total de R$ 300 milhões, o fundo Galo Forte passou a deter 26,88% da Galo Holding S.A. Na notificação, o Atlético mencionou a operação Carbono Oculto da Polícia Federal, que investiga conexões entre empresários de postos de combustíveis e fintechs com o PCC (Primeiro Comando da Capital). A mensagem destacou que, devido a desdobramentos da operação, surgiram indícios na mídia de que o Galo Forte poderia ser controlado por fundos supostamente envolvidos em crimes de lavagem de dinheiro.

““Recentemente, em razão de desdobramentos da operação denominada Carbono Oculto, circulou na mídia a indicação de que o Galo Forte seria, ao fim e ao cabo, controlado por fundos que teriam, alegadamente, algum envolvimento com crimes de lavagem de dinheiro”, diz a mensagem.”

A informação que circulou na mídia foi publicada por veículos como Estadão e Sport Insider, que relataram que o investimento de Vorcaro teria origem em fundos suspeitos de ligação com o PCC. A SAF também expressou surpresa ao descobrir que o Galo Forte poderia ser controlado por outros fundos, uma vez que Vorcaro havia afirmado anteriormente ser o único beneficiário.

Uma consulta ao site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revelou que a afirmação de Vorcaro estava incorreta, pois o fundo tinha dois subscritores: uma pessoa física e outro fundo de investimento. O Atlético Mineiro já havia se posicionado sobre o assunto em 16 de janeiro de 2026, afirmando que o fundo Galo Forte é um “veículo de investimento devidamente constituído e regular, com funcionamento em conformidade com a legislação vigente e registrado na CVM”.

O clube enfatizou que não participa da gestão do fundo e não interfere em sua estrutura ou operações financeiras. Além disso, informou que Vorcaro foi afastado do Conselho de Administração da SAF e não exerce mais funções administrativas ou de governança na entidade.

A defesa de Vorcaro optou por não comentar o caso. O banqueiro foi preso em novembro de 2025, mas liberado logo em seguida, utilizando tornozeleira eletrônica. Ele foi preso novamente na última quarta-feira (4), suspeito de tentar obstruir investigações relacionadas ao Banco Master, supostamente realizando uma ofensiva contra envolvidos e testemunhas do caso.

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