Estudos recentes indicam que as bactérias do intestino têm um papel crucial na eficácia do tratamento imunológico contra o câncer. A pesquisa destaca a microbiota intestinal como um órgão adicional que ajuda na digestão, produção de vitaminas e treinamento do sistema imunológico.
Com a ascensão da imunoterapia, que não ataca diretamente os tumores, mas ativa o sistema imunológico, a microbiota se torna uma peça-chave. Enquanto alguns pacientes apresentam respostas duradouras ao tratamento, outros não obtêm benefícios significativos. Estima-se que 70% a 80% das células do sistema imunológico estejam na parede intestinal, onde interagem constantemente com microrganismos.
Pesquisas identificaram que a presença de certas bactérias pode criar um microambiente tumoral favorável, enquanto a disbiose, frequentemente ligada a inflamações crônicas, pode dificultar a resposta ao tratamento. As Gut OncoMicrobiome Signatures (GOMS) surgem como biomarcadores que podem prever a eficácia da imunoterapia.
““O uso de antibióticos merece atenção especial”, afirmam especialistas, referindo-se a uma meta-análise com mais de 46 mil pacientes que mostrou que o uso de antibióticos antes ou durante a imunoterapia está associado a piores resultados clínicos.”
Além disso, o transplante de microbiota fecal tem mostrado resultados promissores em pacientes com melanoma avançado que não respondiam à imunoterapia. A transferência da microbiota de pacientes que responderam ao tratamento levou alguns a obterem respostas positivas.
A alimentação desempenha um papel central na modulação da microbiota intestinal. Dietas ricas em fibras e a variedade alimentar são benéficas para o crescimento de bactérias saudáveis. Por outro lado, hábitos como o uso indiscriminado de antibióticos e o consumo de alimentos ultraprocessados podem prejudicar esse equilíbrio.
Com a evolução das terapias, a imunoterapia já é utilizada em diversos tipos de câncer, muitas vezes em combinação com outras abordagens. O futuro do tratamento pode incluir exames de fezes para analisar a microbiota, permitindo que médicos prescrevam dietas específicas ou coquetéis de bactérias para otimizar a resposta ao tratamento.


