O Banco Mundial divulgou um relatório nesta terça-feira, 17 de março de 2026, alertando que os países em desenvolvimento estão adotando políticas industriais de forma mais agressiva do que as nações ricas. No entanto, muitos desses países dependem excessivamente de tarifas e subsídios, que provavelmente não serão eficazes.
O economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, afirmou que os governos têm apoiado a política industrial utilizando ferramentas estatais para moldar a produção, ao invés de confiar apenas nos mercados. Gill destacou que, no ano passado, 80% dos economistas do Banco Mundial dedicados a países específicos relataram que os governos buscavam orientação sobre como utilizar a política industrial de forma mais eficaz.
O relatório revelou que as economias em desenvolvimento aplicam políticas industriais de maneira mais intensa do que os países de alta renda. As nações de baixa renda, em média, visam 13 setores para o crescimento, mais do que o dobro dos países mais ricos, conforme apontaram os autores Ana Margarida Fernandes e Tristan Reed.
Esse relatório é publicado em um contexto de aumento das tensões comerciais globais, com governos dos Estados Unidos à China adotando medidas protecionistas para proteger setores estratégicos. Isso gera debates sobre as melhores formas de promover empregos, exportações e desenvolvimento econômico.
Gill observou que essa posição do Banco Mundial representa uma mudança em relação à postura adotada há cerca de 30 anos, quando a política industrial era considerada um “fracasso dispendioso”. No entanto, ele ressaltou que, apesar de a política industrial ser uma ferramenta viável, sua implementação frequentemente falha.
“Os governos geralmente recorrem a instrumentos pouco precisos, optando por tarifas contundentes e subsídios abrangentes ao invés da precisão de parques industriais e programas de desenvolvimento de competências”, argumentou Gill.
O relatório também indicou que as economias de baixa renda impõem as taxas tarifárias médias mais altas sobre as importações, que são de 12%, em comparação com 5% nos países de alta renda. Embora as tarifas possam proteger novos setores em mercados com forte capacidade estatal e flexibilidade fiscal, muitos Estados mais pobres não possuem recursos para absorver os custos associados.
“Todos os países estariam em melhor situação com uma abordagem mais pragmática e precisa”, concluiu Gill.


