Jair Bolsonaro completa hoje seis meses de prisão por crimes contra a Constituição, incluindo tentativa de golpe de estado. No dia 21, ele celebra 71 anos de idade. Se mantidas as condições atuais, sua expectativa é cumprir a sentença até os 98 anos, conforme determinado pelo Supremo Tribunal Federal.
Na prisão, Bolsonaro se dedica a articular sua sobrevivência política. Ele tem atropelado aliados dentro e fora do Partido Liberal (PL), um dos maiores no Congresso, ao nomear um de seus filhos como candidato presidencial. Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio, é um candidato potencialmente competitivo, tendo alcançado o segundo lugar nas pesquisas com 35%, próximo ao de Luiz Inácio Lula da Silva, que possui 40%.
Embora Flávio tenha passado o primeiro trimestre do ano em viagens ao exterior, sua posição nas sondagens é considerada uma proeza, especialmente para um pai que, na prisão, se dedica a montar o mapa eleitoral do PL, que contará com cerca de R$ 1 bilhão em recursos públicos para financiar candidatos.
O objetivo de Jair Bolsonaro não é apenas eleger Flávio como presidente, mas garantir posições para sua família no Legislativo. Ele impôs ao PL as candidaturas da mulher Michelle em Brasília, da ex-mulher Rogéria no Rio, dos filhos Carlos e Jair Renan em Santa Catarina, e do irmão Eduardo em São Paulo.
Além disso, Bolsonaro busca assegurar uma bancada aliada com 42 votos dos 81 disponíveis no Senado. Essa é a base necessária para apresentar pedidos de impeachment contra os juízes do STF em 2027, como uma forma de vingança pela sua condenação à prisão pelos próximos 27 anos.


