Um boto-cor-de-rosa foi resgatado no canal União, no bairro do Marco, em Belém, na terça-feira (17). O animal pode ter sido arrastado para o local devido às chuvas intensas e à maré alta, segundo especialistas.
O boto foi levado para um centro especializado em Benevides, onde recebe cuidados. O educador ambiental Leonel Ferreira, do Instituto Biologia e Conservação de Mamíferos Aquáticos da Amazônia (BioMA), afirmou que o animal pode ter ficado desorientado pela força das águas.
““Ele deve ter ficado desnorteado e acabou sendo levado pela correnteza”,”
explicou.
A presença do boto em uma área urbana chamou a atenção de quem passava pelo local. Leonel Ferreira destacou que a transformação dos cursos d’água ao longo do tempo pode contribuir para situações como essa. A área onde o boto foi encontrado faz parte da bacia do rio Tucunduba, que já foi um rio no passado.
““Com o crescimento desordenado e a urbanização, esses espaços foram sendo modificados e, muitas vezes, completamente concretados. Isso altera a dinâmica natural e afeta diretamente a fauna”,”
afirmou.
Além do crescimento das áreas urbanas, o especialista também mencionou a relação com as mudanças climáticas.
““As mudanças climáticas influenciam na forma como esses animais se comportam. Fora o fato de nós estarmos avançando cada vez mais aos espaços deles, então isso pode ocorrer mais vezes”,”
explicou.
O resgate do boto contou com o apoio de moradores da área, que acionaram os órgãos responsáveis e evitaram qualquer tipo de agressão ao animal. O especialista ressaltou que a participação da população foi fundamental para o sucesso da operação, já que o estresse pode ser fatal para a espécie.
““A população colaborou desde o início. Esse tipo de atitude é essencial, porque são animais muito sensíveis”,”
destacou.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e isolou a área. Os agentes contaram com o apoio do Instituto Biologia e Conservação de Mamíferos Aquáticos da Amazônia (BioMA) e da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) para o resgate adequado. Veterinários e biólogos participaram da operação, que foi considerada delicada. O animal foi retirado do canal e levado para a Ufra.
Especialistas reforçam que, ao encontrar animais silvestres em áreas urbanas, a recomendação é não se aproximar nem tentar capturar. O ideal é acionar imediatamente órgãos ambientais, o Corpo de Bombeiros ou instituições de pesquisa, para garantir o resgate adequado e a segurança do animal. O boto segue em acompanhamento e deve ser reintroduzido ao habitat natural após avaliação e recuperação completa.


