Brasil inicia tratamento inovador contra malária infantil com dose única

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O Ministério da Saúde começou a oferecer um novo tratamento contra a malária em crianças menores de 16 anos no SUS (Sistema Único de Saúde). O medicamento utilizado é a tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para crianças com peso entre 10 kg e 35 kg.

A malária infantil representa cerca de 50% dos casos da doença no Brasil. Anteriormente, a tafenoquina era disponibilizada apenas para jovens e adultos a partir de 16 anos. A distribuição do medicamento será feita de forma gradual, priorizando áreas críticas na região Amazônica.

O Brasil se tornou o primeiro país do mundo a disponibilizar esse tratamento específico para crianças. Inicialmente, serão distribuídos 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica, visando ampliar o controle da doença em todo o território nacional.

O novo medicamento é indicado para pessoas com malária vivax (Plasmodium vivax) que pesem acima de 10 kg e não estejam grávidas ou amamentando. O uso da tafenoquina tem demonstrado eficácia na redução de recaídas e na transmissão da doença.

““A nova apresentação do fármaco será administrada em dose única, o que proporciona mais conforto e praticidade para as famílias e profissionais de saúde, maior adesão à terapia, eliminação completa do parasita e a prevenção de recaídas”, informou o ministério.”

Além disso, o medicamento permite o ajuste da dose conforme o peso da criança, garantindo maior eficácia no tratamento. O ministério investiu R$ 970 mil na aquisição do medicamento e já recebeu 64.800 doses, que serão distribuídas em áreas com maior incidência, como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes.

Esses locais concentram cerca de 50% dos casos de malária em crianças e jovens de até 15 anos. O primeiro a receber a nova formulação foi o DSEI Yanomami, que recebeu 14.550 comprimidos. Essa região já havia sido a primeira a receber a tafenoquina 150 mg, destinada a pacientes com mais de 16 anos, em 2024.

““A malária é um dos principais desafios de saúde pública na região Amazônica, especialmente em áreas de difícil acesso e territórios indígenas, onde fatores geográficos e sociais ampliam a vulnerabilidade à doença”, reconheceu o ministério.”

O Ministério da Saúde também informou que está intensificando o monitoramento e as ações de controle vetorial, além da busca ativa e disponibilização de testes rápidos como parte das estratégias de combate à malária na região. Entre 2023 e 2025, no território Yanomami, houve um aumento de 103,7% na realização de testes, 116,6% no número de diagnósticos e uma redução de 70% nos óbitos pela doença.

No Brasil, em 2025, foi registrado o menor número de casos (120.659) desde 1979, representando uma redução de 15% em relação a 2024. Também houve uma diminuição de 16% nos casos em áreas indígenas. A Amazônia concentra 99% dos casos do país, com 117.879 casos registrados na região no ano anterior. O aumento da malária está diretamente relacionado ao garimpo ilegal.

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