Buriticupu enfrenta voçorocas que já causaram 7 mortes e afetam 360 famílias

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Buriticupu, município a 415 km de São Luís, enfrenta há quase 40 anos o avanço de voçorocas, fenômenos erosivos que já causaram a morte de sete pessoas e afetam a rotina de milhares de moradores.

As voçorocas, que podem chegar a mais de 600 metros de extensão e 80 metros de profundidade, foram catalogadas em 33 ocorrências na cidade. O problema se intensificou a partir de 2015, quando o crescimento urbano começou a afetar áreas vulneráveis.

Isaías Cardoso Aguiar, presidente da Associação de Áreas Atingidas por Voçorocas, afirmou que antes de 2015, a população não tinha conhecimento das erosões, que se tornaram mais frequentes com o crescimento da cidade.

““A partir de 2015, a cidade cresceu mais e, com esse crescimento, veio acompanhado esse problema erosivo”, disse Aguiar.”

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Uma das crateras, localizada na Vila Santos Dumont, já engoliu 50 residências. No total, 360 famílias foram afetadas, e muitas ainda vivem em áreas de risco. Durante o período chuvoso, o medo é constante, com relatos de desmoronamentos e estrondos durante a noite.

Uma cratera avançou cerca de 18 metros em um ano, desabrigando 16 famílias. Geysa dos Santos, uma das afetadas, lamenta a destruição de sua casa:

““É muito triste ver que o buraco está engolindo tudo.””

Acidentes têm ocorrido devido à falta de sinalização adequada. O idoso Francisco Cavalcante, de 72 anos, caiu em uma voçoroca e segue internado. Em 2023, o policial militar aposentado José Ribamar Silveira também caiu em uma cratera.

O professor Marcelino Farias, da Universidade Federal do Maranhão, explica que o crescimento urbano sem planejamento e o desmatamento têm contribuído para o aumento das voçorocas.

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Medidas do poder público incluem o aluguel social de R$ 500 para famílias desabrigadas, mas há relatos de atrasos nos pagamentos. Desde 2023, o Governo Federal liberou R$ 9.733.169,07 para ações relacionadas às voçorocas, mas apenas 27 casas foram entregues até o momento.

A situação é alvo de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Maranhão, que resultou em determinações para o município, incluindo a sinalização das áreas de risco e a apresentação de um plano de contenção das voçorocas.

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