A Câmara dos Deputados cancelou a audiência pública sobre a possível fraude da Posco Engenharia e Construção do Brasil, que estava marcada para a manhã desta quinta-feira (12). A empresa sul-coreana declarou falência em agosto de 2025, com dívidas superiores a R$ 644 milhões.
A Posco Brasil, que é uma versão da Posco Eco & Challenge da Coreia do Sul, foi criada em 2011 para atuar na construção da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), no Ceará. O projeto, que custou R$ 5,4 bilhões, foi realizado entre 2013 e 2018. A empresa admitiu não ter patrimônio suficiente para pagar suas dívidas e informou ter apenas R$ 109 em saldo.
O deputado federal Luiz Gastão (PSD), autor do pedido da audiência, afirmou que a dívida total da Posco Brasil pode chegar a R$ 1 bilhão, incluindo débitos trabalhistas, tributários e comerciais. O encontro foi cancelado na noite de quarta-feira (11) e não há nova data prevista.
O debate tinha como objetivo esclarecer o impacto fiscal para o Ceará e para o Brasil, os prejuízos sofridos por empresas brasileiras, a movimentação financeira da Posco e possíveis irregularidades no pedido de falência. Empresas credoras formaram a Associação Internacional de Credores da Posco e já acionaram a Justiça para barrar o pedido de falência, alegando fraude e planejamento para evitar o pagamento das dívidas.
No pedido de falência aceito pela Justiça em setembro de 2025, a Posco Brasil declarou ter cerca de R$ 11 mil em ativos disponíveis, um carro avaliado em R$ 70 mil e um terreno em São Gonçalo do Amarante, comprado por R$ 1,6 milhão.
A empresa terceirizou a maioria dos serviços da obra da siderúrgica, mas muitas das empresas contratadas não receberam pelos serviços prestados, resultando em ações judiciais. O pedido de falência foi aceito pela 3ª Vara Empresarial de Recuperação de Empresas e de Falências da Comarca de Fortaleza, e o processo de liquidação do patrimônio foi publicado em novembro de 2025.
Os advogados da Posco Brasil alegaram que “não há qualquer perspectiva de solução do endividamento, ante a inexistência de novos recursos e insuficiência de ativos”. As dívidas da empresa incluem R$ 573 milhões em dívidas trabalhistas, R$ 33 milhões em dívidas tributárias, R$ 10,4 milhões em dívidas quirografárias e R$ 26,6 milhões em dívidas intercompany.
O deputado Luiz Gastão também mencionou que há indícios de que a empresa pode ter enviado recursos ao exterior e questionou a lisura do processo de falência, além de citar a contestação de valores pela Fazenda Nacional, Receita Federal e INSS.


