Ad imageAd image

Casas-abrigo oferecem proteção a mulheres vítimas de violência em Pernambuco

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Mulheres vítimas de violência doméstica encontram proteção em casas-abrigo em Pernambuco. O estado conta com quatro casas que acolhem mulheres sob ameaça de morte, proporcionando um espaço seguro para aquelas que buscam fugir de uma realidade cruel.

Essas casas oferecem alimentação, terapia e orientação jurídica, além de suporte para as crianças que acompanham suas mães. “Além das técnicas que atuam com elas aqui, no dia a dia, a gente tem as psicólogas, advogada e assistente social. Porque quando ela chega aqui, ela traz muitas demandas”, explica Walkiria Alves, psicóloga e secretária executiva de Políticas para as Mulheres.

Para ter acesso aos abrigos, as mulheres precisam registrar um boletim de ocorrência e solicitar uma medida protetiva. Desde a implementação do serviço em 2009, nenhuma mulher acolhida foi vítima de feminicídio, e a maioria não retoma o relacionamento com o agressor.

“”Quando ela sai daqui, ela não sai sozinha. Por exemplo, se ela tem uma irmã e vai para São Paulo, o parente vai receber”, diz Walkiria Alves.”

As vítimas relatam experiências de horror, com violência psicológica e física. “Deu vários tapas na minha cara, fiquei zonza. O tempo todo mandou eu tirar minha roupa, passando a faca no meu corpo”, conta uma mulher acolhida.

A representante do Fórum de Mulheres de Pernambuco, Aryella da Silva, destaca que os depoimentos de violência são constantes e variados. “É uma escalada. A gente entende que ela começa com questões sutis, achando que é um cuidado”, afirma.

Walkiria Alves também aponta um padrão de comportamento dos agressores, que começa com controle sobre a vida da mulher. “A partir do momento que você não pode mais usar aquela roupa, aquele batom, que você não pode cortar seu cabelo sem pedir autorização… Perceba que há um controle, um isolamento dessa mulher”, explica.

A situação de violência afeta não apenas a mulher, mas todo seu ciclo social. “Se eu fosse para um lugar, ele fazia de tudo para me encontrar e aí começava as ameaças”, relata uma das vítimas.

Dados da Secretaria de Políticas para as Mulheres indicam que muitas vítimas demoram, em média, cinco anos para denunciar os agressores pela primeira vez. O professor Risomário Silva, da UFRPE, ressalta que a violência contra a mulher atravessa todas as classes sociais e exige mudanças culturais profundas.

“”Não muda da noite para o dia. A gente precisa educar toda a nossa sociedade com ações contínuas, coordenadas e que possam ser mensuradas”, afirma Risomário Silva.”

Para as mulheres que conseguem romper o ciclo da violência, o desejo é simples: reconstruir suas vidas longe do medo. “Quero viver uma vida de paz, tranquila, porque não é justo ficar na mão de homem nenhum”, diz uma das vítimas acolhidas.

Compartilhe esta notícia