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Ciência

Cientistas descobrem camada de névoa recorde em exoplaneta Kepler-51d

Amanda Rocha
Última atualização: 17 de março de 2026 05:04
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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Cientistas descobriram uma camada densa de névoa no exoplaneta Kepler-51d, localizado a cerca de 2.615 anos-luz da Terra. Este planeta, que possui uma densidade semelhante à do algodão-doce, está intrigando astrônomos e desafiando teorias sobre a formação de sistemas planetários.

O sistema Kepler-51, na constelação de Cisne, abriga quatro mundos conhecidos. Três deles possuem um tamanho similar ao de Saturno, mas com uma massa apenas algumas vezes maior que a da Terra, resultando em uma densidade extremamente baixa. “Achamos que os três corpos mais internos que orbitam o Kepler-51 têm núcleos muito pequenos e atmosferas enormes”, afirmou Jessica Libby-Roberts, autora principal do estudo e pesquisadora da área de exoplanetas na Pennsylvania State University.

Libby-Roberts destacou que esses mundos são incomuns e difíceis de explicar, afirmando: “Esses objetos de densidade ultra-baixa são raros e desafiam o entendimento convencional de como gigantes gasosos se formam.” Ela também mencionou que o sistema possui três desses planetas, o que torna a situação ainda mais intrigante.

Tradicionalmente, gigantes gasosos têm um núcleo rochoso denso, o que ajuda a atrair grandes quantidades de gás. No entanto, Kepler-51d orbita sua estrela a uma distância comparável à de Vênus em relação ao Sol e não apresenta sinais de um núcleo denso. “Kepler-51 é uma estrela relativamente ativa, e seus ventos estelares deveriam remover facilmente os gases desse mundo”, explicou Libby-Roberts.

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Os pesquisadores levantaram a hipótese de que Kepler-51d poderia ter se formado mais distante da estrela e migrado para mais perto ao longo do tempo. “Ficamos com muitas perguntas sobre como esse corpo — e os outros desse sistema — se formaram”, disse Libby-Roberts.

Para investigar a composição de Kepler-51d, os cientistas analisaram dados do supertelescópio espacial James Webb. Durante a análise, esperava-se identificar gases na atmosfera do planeta, mas quase nenhum sinal químico claro foi detectado. A explicação mais provável é que uma camada espessa de névoa esteja bloqueando a luz.

“Acreditamos que existe uma camada de névoa tão espessa que está absorvendo os comprimentos de onda de luz que observamos”, afirmou Suvrath Mahadevan, professor de astronomia e astrofísica da Penn State. Essa névoa pode ser comparada à existente em Titã, a maior lua de Saturno, mas em uma escala muito maior.

As estimativas indicam que a camada de névoa pode ter quase o tamanho do raio da Terra, tornando-a uma das maiores já observadas em um exoplaneta. Embora outras possibilidades, como a presença de anéis ao redor do corpo, tenham sido consideradas, a hipótese da névoa espessa parece ser a mais plausível.

Libby-Roberts concluiu: “Começamos a encontrar planetas que não se parecem em nada com os do nosso Sistema Solar, e esses mundos realmente desafiam nosso entendimento da formação planetária.”

TAGGED:AstronomiaCiênciaexoplanetaJessica Libby-RobertsKepler-51dnévoaPenn StatePennsylvania State UniversitySuvrath Mahadevan
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