Um flagrante da natureza foi registrado pelo biólogo e herpetólogo Willanilson Pessoa no município de Oriximiná, no Pará. A cena mostra uma cobra cipó-bicuda-da-amazônia (Oxybelis fulgidus) capturando e engolindo um sanhaço-da-amazônia (Thraupis episcopus) em meio à vegetação.
De acordo com Pessoa, a predação de aves por serpentes é um comportamento comum na natureza. Ele explica: “As aves têm vários predadores. Elas podem ser predadas por mamíferos, lagartos, peixes, invertebrados e, principalmente, por serpentes.”
A cobra cipó-bicuda-da-amazônia é uma espécie arborícola, vivendo principalmente nas árvores, e captura presas que pousam nos galhos próximos. O especialista detalha que a serpente utiliza uma estratégia de caça chamada “senta e espera”. “Ela fica extremamente camuflada e paradinha no galho. Quando a ave pousa perto, a serpente dá o bote e captura”, afirma.
O tamanho da cobra limita quais aves ela consegue engolir. “Não é qualquer ave. Precisa ser um animal que caiba dentro dela. Passarinhos menores, como pardais ou cambacicas, por exemplo, podem ser predados”, explica Pessoa.
A camuflagem é essencial para o sucesso da caça. A coloração da cobra permite que ela se misture facilmente à vegetação. “Sem essa camuflagem, as aves conseguiriam enxergar o predador e evitariam pousar perto”, diz o biólogo.
Embora muitas pessoas sintam pena da ave ao ver cenas como essa, Pessoa ressalta que essa interação é parte fundamental do equilíbrio ecológico. “As pessoas ficam com dó do passarinho, mas isso é o ciclo da natureza. As interações entre predador e presa ajudam a manter o equilíbrio dos ecossistemas”, afirma.
Além do impacto visual do flagrante, registros como esse têm valor científico. Cada observação pode trazer novas informações sobre a dieta e o comportamento das espécies. “A gente sabe que essa serpente predava aves, mas cada registro ajuda a entender quais espécies ela consegue capturar”, conclui Pessoa.


