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Saúde

Comida pode interferir na eficácia de medicamentos; entenda como isso ocorre

Amanda Rocha
Última atualização: 14 de março de 2026 05:00
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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Tomar um medicamento ‘em jejum’, ‘com comida’ ou ‘evitar álcool’ pode influenciar a eficácia do tratamento. Alimentos e bebidas alteram a absorção no intestino, o metabolismo no fígado e a tolerância do corpo à medicação, impactando diretamente o efeito final e as reações adversas.

O médico Leonardo Catizani, da clínica Tivolly, especializada em endocrinologia e nutrologia, explica que a interferência ocorre em diferentes etapas do processo. ‘Em alguns casos, a presença de alimento faz com que o medicamento não seja absorvido da forma correta, reduzindo o efeito. Em outros, a combinação aumenta a concentração do medicamento no sangue e eleva o risco de reações adversas’, afirma.

Quando a interação acontece no intestino, o alimento pode dificultar a absorção, fazendo com que menos medicamento chegue à corrente sanguínea. No fígado, o que foi consumido pode influenciar o metabolismo e alterar a concentração do remédio, tornando o tratamento menos eficaz ou aumentando os efeitos colaterais.

Catizani aponta que algumas combinações são recorrentes. Por exemplo, leite e derivados podem reduzir a absorção de certos antibióticos. A toranja é outro exemplo, pois pode interagir com medicamentos para colesterol, pressão e ansiedade, elevando o risco de efeitos colaterais. Em tratamentos com anticoagulantes, a ingestão irregular de alimentos ricos em vitamina K pode interferir na eficácia do tratamento.

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Além disso, alguns chás e produtos naturais podem diminuir o efeito de medicamentos importantes, incluindo anticoncepcionais. O alcaçuz, quando consumido em excesso, pode aumentar a pressão e causar alterações de potássio, interferindo em remédios do coração.

As respostas diferentes a um mesmo alimento e medicamento não significam que o remédio não funciona. ‘A diferença começa na forma como cada organismo metaboliza substâncias. Fatores genéticos influenciam como o fígado metaboliza os medicamentos’, explica Catizani.

A combinação de álcool com medicamentos requer atenção. Mesmo pequenas quantidades podem potencializar efeitos. Remédios que atuam no sistema nervoso, como ansiolíticos e antidepressivos, não combinam com álcool, pois podem causar sonolência excessiva e perda de reflexos. Anti-inflamatórios e aspirina, quando associados ao álcool, aumentam o risco de gastrite e sangramento gastrointestinal.

As orientações sobre o uso de medicamentos têm motivos específicos. Quando um remédio deve ser tomado em jejum, é porque a presença de alimento atrapalha sua absorção. Já os medicamentos que devem ser tomados com comida costumam ter melhor absorção nessas condições.

Cafeína, chás e energéticos também podem intensificar sintomas em quem usa determinados medicamentos. A cafeína pode intensificar tremores e ansiedade em pessoas que já tomam remédios que aceleram o sistema nervoso.

Os grupos mais suscetíveis a riscos de combinação incluem idosos e pessoas com doenças cardíacas. Catizani recomenda não ajustar a rotina alimentar ou horários de medicação sem orientação médica.

TAGGED:álcoolalimentosclínica TivollyLeonardo Catizanimedicamentos
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