Poucos dias após a primeira salva de ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no último sábado, 28 de fevereiro, a guerra no Oriente Médio se transformou em um conflito de atrito. A campanha de retaliação da República Islâmica disparou centenas de mísseis e drones contra o Chipre, o Azerbaijão e ao menos cinco nações do Golfo, onde há bases e ativos militares americanos.
Tanto as forças de Washington quanto as monarquias da região enfrentaram pressões em suas defesas aéreas e estoques de armas. O resultado do conflito pode depender de uma conta matemática: mísseis versus interceptadores. Qual lado ficará sem munição primeiro?
Na quinta-feira, 5 de março, os drones de ataque unidirecional Shahed e pequenos mísseis de cruzeiro continuaram a bombardear alvos em todo o Oriente Médio. Explosões danificaram bases americanas, infraestrutura petrolífera e até edifícios residenciais. Os mísseis de defesa aérea Patriot, fabricados nos Estados Unidos, mostraram-se eficazes em deter os Shahed e outros mísseis balísticos, com taxas de interceptação superiores a 90%, segundo os Emirados Árabes Unidos.
No entanto, o uso de mísseis de US$ 4 milhões para destruir drones de US$ 20 mil levanta preocupações sobre a eficiência dos recursos. Tanto o Irã quanto os Estados Unidos podem ficar sem armamento em dias ou semanas. A resistência mais longa poderá garantir uma vantagem significativa.
Os aliados do regime dos aiatolás, conhecidos como o “eixo da resistência”, foram severamente enfraquecidos pela guerra em Gaza. A capacidade de mísseis do Irã também foi prejudicada por ataques anteriores. Estima-se que Teerã ainda possua cerca de 2 mil mísseis balísticos e um número maior de drones Shahed, embora não se saiba exatamente quantos.
Até agora, as forças iranianas dispararam pelo menos 500 mísseis balísticos e 2 mil drones contra Israel e nações da região. Acredita-se que estejam guardando munições mais destrutivas para um momento em que as defesas aéreas estejam mais vulneráveis. Eric Lob, cientista político da Florida International University, afirmou: “Teerã aposta em intensificar as consequências e os custos do ataque israelo-americano”.
Uma análise interna revelou que o estoque do Catar de mísseis para o sistema de defesa Patriot pode acabar nesta semana. Embora Doha tenha afirmado que está bem abastecida, há pressão por um fim rápido ao conflito. Antes do início da guerra, o general Dan Caine, Chefe do Estado-Maior Conjunto, alertou que uma campanha prolongada poderia afetar os estoques de armas dos Estados Unidos.
O ministro do gabinete de segurança de Israel, Eli Cohen, afirmou que 150 lançadores de mísseis iranianos foram destruídos, com o objetivo de criar supremacia aérea e diminuir o fogo contra o Estado de Israel. Analistas americanos avaliam que os ataques não deslocaram munição suficiente para sustentar uma ofensiva prolongada, como estimou o presidente Trump.
Os sistemas Patriot, amplamente utilizados, disparam mísseis PAC-3, mas a Lockheed Martin fabricou apenas 600 no ano passado. Com base no número de mísseis e drones abatidos, milhares de interceptores já podem ter sido disparados. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos operam o THAAD, um sistema mais caro, custando cerca de US$ 12 milhões cada.
Para evitar problemas com munições, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, anunciou que os Estados Unidos pretendem intensificar os ataques ao Irã com bombas gravitacionais de precisão, que são consideradas mais simples e eficazes. O general Caine, em coletiva no Pentágono, afirmou que os lançamentos de mísseis do Irã diminuíram drasticamente desde o início dos ataques, com uma queda de 86% em relação ao primeiro dia de combates.
Defensivamente, o Irã enfrenta dificuldades, pois seus sistemas antiaéreos foram atingidos nos primeiros ataques. Se a intensidade dos ataques iranianos continuar, os estoques de mísseis para sistemas Patriot podem se esgotar rapidamente. Um impasse na guerra pode ocorrer, o que poderia dar ao regime dos aiatolás o tempo necessário para se estabilizar.

