O apresentador Ratinho se manifestou nas redes sociais nesta sexta-feira (13) sobre uma declaração feita durante seu programa no SBT, na última quarta-feira (11). Ele afirmou que a deputada federal Erika Hilton “não é mulher, é trans”, ao comentar a eleição dela para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Ratinho declarou: “Muita polêmica, né? Eu defendo a população trans, mas defendo também o direito de quem governa. Crítica política, gente, não é preconceito, é jornalismo e eu não vou ficar em silêncio”. Na legenda da postagem, ele convidou jornalistas e comentaristas a se manifestarem: “Convido jornalistas, comentaristas, apresentadores: falem. Publiquem. Não fiquem em silêncio. Porque silêncio é conivência”.
Na quinta-feira (12), Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou um pedido de ação criminal contra Ratinho por transfobia, que é o ódio ou discriminação contra pessoas trans, enquadrado no crime de racismo. Em nota, o SBT informou que “repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa”. A emissora ainda afirmou que as declarações de Ratinho não representam sua opinião e estão sendo analisadas internamente.
Erika Hilton afirmou em suas redes sociais: “Sim, estou processando o apresentador Ratinho. Eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é e sempre será um rato”. A deputada solicitou uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, que será destinada a projetos de proteção a mulheres vítimas de violência de gênero.
Além disso, Erika encaminhou uma representação ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), acusando Ratinho de transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero, pedindo a abertura de um inquérito para investigá-lo. O MPF e o MP irão analisar os pedidos para decidir sobre a abertura de inquéritos.
Durante seu programa, Ratinho comentou: “A presidência da Comissão das Mulheres… uma mulher trans. Eu não achei muito justo. Tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans?” Ele afirmou ainda: “Mas se tem outras mulheres… mulher mesmo” e “mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente”.
A deputada Erika Hilton também se manifestou sobre as declarações de Ratinho, afirmando que o ataque foi contra todas as mulheres trans e cis que não menstruam ou que não têm útero. Ela destacou que as declarações de Ratinho ultrapassam os limites da crítica política e configuram discriminação contra mulheres trans, com impacto ampliado pela transmissão em rede nacional.


