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Justiça

Debatedores destacam moradia como base de direitos e alertam sobre favelas

Amanda Rocha
Última atualização: 18 de março de 2026 12:50
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Participantes de uma audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, realizada na terça-feira (17), destacaram a moradia digna como condição essencial para o acesso a outros direitos básicos.

O debate, solicitado pelo deputado Padre João (PT-MG), trouxe à tona a preocupação com o crescimento das favelas e a crise habitacional no Brasil. O bispo da diocese de Registro (SP), dom Manoel Ferreira, enfatizou que a falta de moradia adequada exige mobilização social e não deve ser tratada apenas como uma estatística.

““Nós olhamos para a realidade do nosso povo brasileiro que vive em situação difícil. São 26 milhões de famílias que moram em situação inadequada. Não são apenas números, são pessoas, são famílias”,”

afirmou.

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Evaniza Rodrigues, da União Nacional por Moradia Popular, pediu um aumento no orçamento público destinado à habitação popular e a implementação de políticas voltadas para famílias de baixa renda.

““A moradia é porta de entrada para todos os direitos”,”

disse.

A expansão das favelas foi identificada como um reflexo do agravamento da crise habitacional. Benedito Roberto Barbosa, da Central de Movimentos Populares, mencionou dados do IBGE, revelando que o número de favelas no Brasil cresceu de cerca de 3,9 mil em 2000 para quase 14 mil em 2022. Ele argumentou que esse crescimento demanda políticas estruturais para enfrentar o déficit habitacional.

Maria José Costa Almeida, conhecida como Zezé do MTST, lembrou que muitas famílias recorrem a ocupações devido à falta de alternativas.

““Quando nós ocupamos, ocupamos exigindo direito à cidade, porque queremos viver em lugares com escola, transporte, saneamento e segurança”,”

afirmou.

Alessandra Miranda de Souza, assessora da Comissão Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ressaltou que a discussão sobre moradia abrange mais do que a construção de casas, incluindo o acesso a serviços públicos e a inclusão urbana.

““Não estamos falando apenas de um teto, mas de tudo o que envolve o direito à cidade”,”

destacou.

Valdemir Alves dos Santos, do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem, denunciou violações do direito à moradia em situações de desastre socioambiental, citando que milhares de moradores foram forçados a deixar suas casas em Maceió devido ao afundamento do solo relacionado à mineração, e muitas famílias ainda enfrentam dificuldades para reconstruir suas vidas.

Os participantes sugeriram medidas para enfrentar o problema habitacional no país, como a retomada da Frente Parlamentar da Moradia e Reforma Urbana, a criação de mecanismos de mediação de conflitos fundiários e a priorização do projeto de lei da autogestão habitacional (PL 4216/21). Também houve críticas à criminalização de movimentos sociais e preocupação com a situação da população em situação de rua.

O deputado Padre João afirmou que as contribuições do debate podem orientar iniciativas legislativas e o acompanhamento de políticas públicas voltadas à habitação popular, com o objetivo de ampliar o diálogo com movimentos sociais e especialistas para buscar soluções que garantam o direito à moradia previsto na Constituição Federal.

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