O delegado chefe da Polícia Civil de Sorriso, Mato Grosso, Bruno França, foi exonerado do cargo na quinta-feira, 12 de março de 2026. A delegada Layssa Crisóstomo assume a chefia da unidade, enquanto Bruno permanece na delegacia sem a função de chefe.
A exoneração foi assinada pelo governador Mauro Mendes e publicada no Diário Oficial do estado. A Polícia Civil informou que a troca de titularidade ocorreu por questões administrativas, mas o documento não especifica o motivo da exoneração. A medida acontece um mês após uma detenta relatar que foi estuprada dentro da delegacia.
A Corregedoria-Geral e o Ministério Público estão investigando o furto de um celular funcional da unidade, cujas mensagens vazadas sugerem abusos sexuais a outras detentas e possíveis torturas a investigados. O investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, foi indiciado por estupro e abuso de autoridade após a conclusão do inquérito sobre a violência sexual contra a detenta.
O crime ocorreu enquanto a vítima estava presa, após um mandado de prisão temporária relacionado a um homicídio. A denúncia foi feita ao Ministério Público na primeira quinzena de dezembro de 2025. O laudo confirmou a compatibilidade genética de Manoel, levando à solicitação de sua prisão preventiva e à quebra do sigilo de dados telefônicos.
Após audiência de custódia, Manoel foi encaminhado à Cadeia Pública de Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, onde permanece preso. A detenta denunciou que foi estuprada cerca de quatro vezes pelo investigador em dezembro do ano passado, enquanto estava detida.
Ela relatou o caso ao advogado e, posteriormente, ao Ministério Público. Segundo a defesa, o investigador retirava a mulher da cela e a levava para uma sala vazia, ameaçando-a de morte caso não permanecesse em silêncio. A delegada Layssa Crisóstomo informou que outras presas foram ouvidas, mas até o momento não houve novas denúncias contra o policial.
A delegacia também está sob investigação devido ao vazamento de mensagens de um suposto grupo de WhatsApp mantido por policiais. A Corregedoria-Geral enviou uma equipe para investigar a conduta dos agentes e dar agilidade às apurações já em andamento.


