A Polícia Civil indiciou, nesta quarta-feira (11), o dentista Luis Alberto Pohlmann Júnior pelos crimes de estupro e estupro de vulnerável. Os crimes ocorreram quando as vítimas tinham menos de 14 anos. O dentista foi preso no começo de março, em Teixeira Soares, nos Campos Gerais do Paraná.
Ele é suspeito de estuprar crianças e adolescentes em uma chácara. Após a prisão do dentista ser noticiada, mais vítimas procuraram a polícia e relataram terem sido abusadas sexualmente por ele. As vítimas são familiares de Luis ou pessoas próximas à família dele.
Relatos coletados ao longo das investigações apontam que a maioria dos crimes aconteceu em reuniões familiares na chácara. Dez vítimas foram ouvidas, e uma delas detalhou que o primeiro abuso ocorreu aos 7 anos. As investigações indicaram que o homem utilizava sempre o mesmo modus operandi: buscava ficar sozinho com as vítimas ou agia de forma que outras pessoas não pudessem ver o que estava acontecendo.
O delegado Rafael Nunes Mota, responsável pelas investigações, afirmou que os relatos de várias vítimas descrevem de forma consistente como o suspeito agia.
“”As vítimas narram diversos fatos. Uma das vítimas foi vítima por várias vezes. Extraímos a partir dessas oitivas, o modus operandi e analisamos diversas coerências entre os relatos”,”
detalhou o delegado.
Com a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR). Como o investigado está preso, a promotoria tem um prazo de cinco dias para analisar as informações e decidir se apresenta denúncia à Justiça.
As investigações também envolvem a análise preliminar do conteúdo do celular do dentista. Os investigadores encontraram mensagens enviadas por ele a uma parente, pedindo para que ela convencesse as vítimas a não denunciá-lo. As conversas mostram que essa parente se negou a conversar com as vítimas.
Luis Alberto Pohlmann Júnior já foi condenado por importunação sexual contra uma paciente em Curitiba e é réu em outro processo pelo mesmo crime. A defesa do dentista não respondeu até a última atualização desta reportagem.
A primeira vítima procurou a polícia em outubro de 2025, o que encorajou outras nove a também denunciarem o homem. Agora adultas, todas relatam que foram abusadas quando eram crianças e adolescentes e conviveram com a dor em silêncio por muito tempo.
“”É um silêncio muito pesado. Eu carreguei, durante anos, um peso que não era meu… por vergonha, principalmente”,”
disse uma delas em entrevista.
Uma das vítimas comentou:
“”Por muito tempo eu achava que aquilo era só brincadeira; eu não entendia que estava sendo abusada… Por muito tempo, eu achei que eu permiti [os abusos]. Porque quando você é criança, não sabe o que está acontecendo”.”


