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Dentista é preso no Paraná após denúncias de abusos de seis mulheres

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O dentista Luis Alberto Pohlmann Júnior foi preso no início de março no Paraná, após seis mulheres adultas denunciarem que foram abusadas por ele quando eram crianças. As denúncias foram feitas à polícia e a maioria das vítimas são familiares do dentista.

Os relatos indicam que os abusos ocorreram durante reuniões familiares na chácara de Pohlmann, localizada em Teixeira Soares, uma cidade com cerca de 9,5 mil habitantes. A primeira denúncia foi registrada em outubro de 2025, o que motivou outras cinco mulheres a se apresentarem e relatarem os abusos.

Atualmente, as seis mulheres têm entre 27 e 40 anos e relataram que conviveram com a dor em silêncio por muitos anos. Uma das vítimas afirmou:

“”Eu espero que muitas vítimas se permitam a falar sobre isso [abusos], porque eu sei a sensação e eu quero que elas se permitam sentir o mesmo. Eu espero que elas se permitam parar de carregar esse peso que não é delas porque falar sobre isso é libertador! O silêncio não protege a vítima, ele protege o agressor”.”

Outra mulher complementou que teve vergonha do que aconteceu, levando anos para entender que foi vítima de abuso sexual infantil. Pohlmann responde por crimes de estupro, estupro de vulnerável e importunação sexual.

O advogado Felipe Feltrin, que defende o dentista, declarou que está analisando os fatos do inquérito e espera que sejam considerados com cuidado, sem julgamentos antecipados. Ele afirmou:

“”Relatos são importantes e precisam ser levados a sério, mas o processo penal exige que esses relatos sejam analisados à luz de outros elementos de prova, especialmente quando se trata de casos que teriam ocorrido há muitos anos”.”

A Polícia Civil espera finalizar o inquérito nos próximos dias. Pohlmann já foi condenado anteriormente por importunação sexual de uma paciente e é réu em outra ação pelo mesmo crime. Atualmente, ele mantém um consultório em Curitiba.

O Conselho Regional de Odontologia confirmou que o dentista possui registro ativo, mas não informou se há investigações em andamento sobre sua conduta, alegando tratar-se de informação sigilosa.

O delegado Rafael Nunes afirmou que Pohlmann se aproveitava da confiança depositada nele, tanto como profissional quanto como familiar, para cometer os crimes. As investigações revelaram que ele utilizava um padrão de comportamento, buscando ficar sozinho com as vítimas.

Entre os relatos, uma vítima mencionou que foi estuprada após um convite para brincar na piscina, enquanto outra disse que o dentista se aproveitou da situação para abusá-la enquanto assistiam a um filme. Todas as vítimas relataram que Pohlmann era respeitado na família, o que dificultou o reconhecimento dos abusos.

Uma das vítimas expressou:

“”Por muito tempo eu achava que aquilo era só brincadeira; eu não entendia que estava sendo abusada… Por muito tempo, eu achei que eu permiti [os abusos].””

O delegado destacou que os depoimentos das vítimas foram claros e precisos, o que levou ao pedido de prisão preventiva. Outra vítima disse:

“”É um silêncio muito pesado. Eu carreguei, durante anos, um peso que não era meu… por vergonha, principalmente”.”

Denúncias sobre este ou outros casos podem ser feitas anonimamente pelos telefones 197, da Polícia Civil, ou 181, do Disque-Denúncia. Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.

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