As investigações sobre o esquema de venda de decisões judiciais do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estão em andamento. O depoimento de um delator premiado surge como uma esperança para alguns suspeitos que buscam afastar as acusações de envolvimento com o lobista Andreson Gonçalves.
O escândalo, revelado em 2024, envolve decisões proferidas pelos ministros Isabel Gallotti, Og Fernandes e Nancy Andrighi. O caso está sob a responsabilidade do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que criticou a falta de ação da Polícia Federal nas apurações e apontou vazamentos de informações confidenciais.
A Polícia Federal conseguiu investigar o modus operandi do lobista, que vendia minutas de decisões do STJ a pessoas com disputas milionárias. Além disso, foram coletadas evidências de que o grupo ligado ao lobista pode ter falsificado rascunhos de decisões de ministros, apresentando-os como verdadeiros a empresários beneficiados pelo esquema de corrupção.
Entre as decisões suspeitas está um suposto mandado de prisão relacionado à Operação Faroeste, que investiga um grande esquema de comércio de sentenças no Brasil. Em 2020, Andreson contatou o empresário Nelson Vigolo, afirmando ter acesso antecipado a decisões sobre o caso devido a um alegado contato com o ex-servidor do STJ, Rodrigo Falcão.
Rodrigo Falcão, que estava lotado no gabinete de Og Fernandes, foi alvo de busca e apreensão e exonerado pelo magistrado. Fernandes não é investigado no caso. Vigolo, que fechou um acordo de delação na Operação Faroeste, pagou R$ 20 milhões em multa e mencionou uma abordagem de Andreson em seu depoimento.
““[Andreson] me ligou contando toda aquela história que eu tava (sic) na iminência de ser preso e que ele teria uma solução para evitar isso, claro me pedindo um valor”, disse Vigolo.”
O lobista apresentou um pedido de prisão contra Vigolo, mas os advogados do empresário consideraram o documento uma fraude, já que o pedido nunca existiu. A oitiva do empresário permanece sob sigilo. Embora o depoimento não exonere Rodrigo Falcão das suspeitas, as informações do delator podem fortalecer a defesa do ex-assessor de Og Fernandes. Andreson Gonçalves e Rodrigo Falcão negam irregularidades.


