A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 17 de março de 2026, a Operação Indébito, que investiga fraudes bilionárias no INSS. A operação tem como um dos alvos a deputada federal Gorete Pereira, do MDB.
Por decisão do ministro André Mendonça, a parlamentar não foi presa, mas deverá usar tornozeleira eletrônica. Essa medida foi adotada apesar do pedido de prisão preventiva feito pela Procuradoria-Geral da República.
As investigações revelam que o esquema atuava por meio de descontos não autorizados aplicados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas. Valores entre R$ 45 e R$ 60 eram debitados mensalmente sem consentimento, simulando filiação a entidades.
O colunista Robson Bonin, de Radar, descreveu o esquema como um “desvio em escala industrial”. A Polícia Federal estima que mais de 5 milhões de beneficiários podem ter sido afetados, resultando em um prejuízo superior a R$ 6 bilhões entre 2020 e 2025.
De acordo com as investigações, Gorete Pereira teria atuado como um elo político do grupo criminoso, recebendo propina para dar sustentação institucional ao esquema. Bonin afirmou que “ela funcionava como um braço político desse grupo”.
O ministro Mendonça optou por uma medida cautelar menos severa, considerando o impacto institucional de uma prisão de uma parlamentar em exercício. Bonin criticou essa abordagem, afirmando que “o crime costuma compensar para quem tem mandato parlamentar no país”.
Os investigadores acreditam que o avanço sobre agentes públicos era esperado, dado o tamanho do esquema. Bonin destacou que “ninguém rouba tanto dinheiro de aposentados sem que políticos tenham permitido que isso acontecesse”. A nova fase da operação indica que a Polícia Federal busca consolidar provas do envolvimento de autoridades no caso.


