Deputada é investigada por compra de apartamento de R$ 4 mi com supostos desvios do INSS

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A deputada Gorete Pereira está sendo investigada por supostos desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para a aquisição de um apartamento avaliado em mais de R$ 4 milhões.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que há indícios de que a parlamentar utilizou recursos desviados de aposentados e pensionistas do INSS para comprar um imóvel e um veículo de luxo superior a R$ 400 mil. A declaração foi feita na decisão que autorizou 19 mandados de busca e apreensão cumpridos em 17 de março de 2026.

Segundo Mendonça, a deputada integraria um grupo criminoso que atuava na aplicação de descontos indevidos em benefícios previdenciários. As investigações da Polícia Federal (PF) revelaram transferências de valores elevados para contas da deputada, provenientes de uma empresa de fachada chamada SOP Processamento de Dados Ltda., ligada ao esquema.

Documentos analisados indicam que a empresa, administrada por uma sobrinha da parlamentar, foi utilizada na compra do imóvel, avaliado em R$ 4,43 milhões. Embora o apartamento esteja registrado em nome da empresa, Mendonça aponta evidências de que o bem seria, na prática, da deputada.

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“Há provas nos autos de que Maria Gorete adquiriu, de fato, um apartamento de mais de quatro milhões de reais em nome de uma dessas empresas de fachada, bem como adquiriu um veículo de luxo com recursos indevidamente subtraídos de aposentados e pensionistas do INSS”, afirmou o ministro.

A operação, denominada “Sem Desconto”, investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. Os mandados visam crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, organização criminosa e estelionato previdenciário, além de ocultação e dilapidação de patrimônio.

O ministro também destacou que há indícios de uma estrutura criminosa organizada, com divisão de tarefas e atuação contínua, responsável por prejuízos estimados em centenas de milhões de reais. Apesar de pedidos de prisão preventiva feitos pela Procuradoria-Geral da República e pela PF, a deputada foi alvo apenas de medidas cautelares e está sendo monitorada por tornozeleira eletrônica.

A defesa de Gorete Pereira afirmou que a deputada não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não correspondem à realidade dos fatos. “A parlamentar possui mais de 40 anos de vida pública pautada pela integridade. Sua defesa já analisa o teor da decisão, e o advogado Dr. Waldir Xavier se manifestará oportunamente após análise detalhada do caso. Confiante no devido processo legal, a deputada reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência”, diz o comunicado.

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