O filme ‘O Agente Secreto’, ambientado no Recife dos anos 70, estreou no Festival de Cannes e concorre ao Oscar no dia 15 de março. Tradutores enfrentaram desafios para adaptar as gírias e expressões regionais para o público internacional.
Logo na cena de abertura, o filme apresenta a palavra ‘pirraça’, que foi traduzida como ‘mischief’ (travessura) na legenda em inglês. Evaldo Medeiros, responsável pelas legendas, explicou que a escolha da palavra foi estratégica para transmitir um ‘ar literário e pernambucano’.
Outras expressões como ‘dor de corno’ foram traduzidas como ‘you’ve been made a cuckold’ (você foi feito de chifrudo). O termo ‘raparigueiro’ foi adaptado para ‘whore lover’ (amante de prostitutas), enquanto ‘pular a cerca’ virou ‘fuck around’ (f*der por aí).
A adaptação das legendas levou um mês e meio. Kleber Mendonça Filho, diretor do filme, destacou que nem sempre existe uma expressão equivalente em outro idioma. O foco deve ser a intenção da cena.
Alguns termos, como ‘macumba’ e ‘coxinha’, foram mantidos na versão estrangeira para preservar a autenticidade da obra. A tradutora Muriel Pérez, que adaptou o roteiro para o francês, ressaltou a importância de contextualizar as contradições brasileiras, como o preconceito contra o Nordeste.
Muriel utilizou dicionários informais e consultou o diretor para esclarecer dúvidas sobre expressões. ‘O Agente Secreto’ está concorrendo a quatro categorias no Oscar, que ocorrerá em Los Angeles.


