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Política

Disputa pelo voto evangélico entre Lula e Flávio Bolsonaro se intensifica

Amanda Rocha
Última atualização: 15 de março de 2026 08:00
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Desde seu retorno ao Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem buscado se aproximar dos evangélicos, um segmento que representa 27% do eleitorado, segundo o IBGE. Nos três primeiros anos de mandato, Lula participou de cultos, enviou emissários para dialogar com pastores e firmou convênios com igrejas independentes para distribuir benefícios sociais.

Apesar dos esforços, Lula enfrenta dificuldades. Atualmente, ele conta com apenas 21% das preferências dos evangélicos, uma queda de 13 pontos em relação a 2022. Por outro lado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) detém 48% do apoio desse grupo, o que lhe confere chances de vitória no primeiro turno se o pleito dependesse apenas desses eleitores.

A rejeição de Lula entre os evangélicos é um dos fatores que afetam sua popularidade. A crítica da Acadêmicos de Niterói, escola de samba que homenageou o presidente, ainda ressoa negativamente entre a comunidade religiosa. Magali Cunha, pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (Iser), afirma que a defesa dos evangélicos em Brasília tem um apelo forte.

O PT, que possui cerca de 500 mil militantes em igrejas protestantes, promove bandeiras como igualdade de gênero e legalização de drogas e aborto, que vão contra os valores defendidos por muitos líderes religiosos. Nilza Valeria Zacarias, coordenadora da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, observa que há um desrespeito por parte da esquerda em relação aos evangélicos.

Os estrategistas de campanha de Lula esperam que a melhora nos indicadores econômicos possa ajudar a reverter a situação. A maioria dos evangélicos é composta por mulheres, afrodescendentes e moradores de periferias, que costumam ser sensíveis a benefícios sociais. Gutierres Barbosa, coordenador nacional do Setorial Inter-religioso do PT, afirma que o partido está ampliando o diálogo com segmentos religiosos, especialmente os evangélicos.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, busca consolidar sua vantagem. Desde que anunciou sua pré-candidatura, ele tem participado de cultos e se envolvido em atos de fé, com o apoio do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). O plano inclui encontros com lideranças de diversas denominações evangélicas.

Além disso, Flávio deve moderar discursos que possam desagradar eleitores, como a liberação da venda de armas. A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro também deve se integrar à campanha, enquanto sua esposa, Fernanda, participará de atos religiosos.

Uma questão importante na disputa é a sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, que se tornou um desafio para o governo. Messias, que é um dos principais interlocutores do Planalto com a Frente Parlamentar Evangélica, enfrenta desconfiança em relação ao PT.

As disputas pelo voto evangélico também se intensificam nos estados, especialmente no Rio de Janeiro, onde os evangélicos representam um terço do eleitorado. O pastor Silas Malafaia anunciou apoio a Douglas Ruas (PL), candidato de Flávio Bolsonaro, rompendo com o prefeito Eduardo Paes (PSD), que havia buscado apoio evangélico.

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