O empresário Jhonnatan Silva Barbosa foi condenado a 9 anos de prisão em regime inicialmente fechado por tentar matar Gabriel Silva Nascimento em Açailândia, no sul do Maranhão. A decisão foi proferida pelo Tribunal do Júri nesta segunda-feira, 16 de março de 2026. Os jurados desconsideraram o racismo como motivação do crime.
Durante o julgamento, Gabriel Silva Nascimento foi o primeiro a depor. Ele afirmou que aguardava ansioso por justiça, mencionando:
““Gostaríamos de ter aqui não só ele, mas a moça também que participou, mas esperamos que se resolva.””
Outras cinco testemunhas foram ouvidas durante a sessão, que começou por volta das 10h após três adiamentos do processo.
Jhonnatan Silva Barbosa estava acompanhado de dois defensores públicos e teve a oportunidade de prestar depoimento. Ele respondia por tentativa de homicídio triplamente qualificado. A promotoria argumentou que não havia dúvidas sobre a intenção do réu ao cometer as agressões, afirmando:
““É inequívoco para o Ministério Público que as manobras que ele fez demonstram, sem sombra de dúvida, a intenção dele de matá-lo.””
As agressões ocorreram em 18 de dezembro de 2021, quando Gabriel foi asfixiado e agredido com socos e chutes por Jhonnatan Barbosa e uma mulher, identificada como Ana Paula Costa Vidal. O processo foi desmembrado, e Ana Paula será julgada separadamente por lesão corporal.
A defesa de Gabriel alegou que o racismo motivou as agressões, afirmando que
““Ele olhou Gabriel e entendeu que ele era ladrão, só por ser negro, porque não havia nenhum elemento que fizesse com que ele acreditasse nisso.””
O caso é acompanhado pelo Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán, que atua na defesa dos direitos humanos e no combate ao racismo.
Apesar das discussões sobre a motivação racial, os jurados não reconheceram o racismo como fator do crime. Gabriel relatou que as agressões podem ter sido motivadas por sua cor de pele, afirmando:
““Quero que haja justiça porque isso não pode acontecer com as pessoas.””
Jhonnatan Silva Barbosa já havia sido condenado anteriormente por atropelar e matar um homem de 54 anos em 2013, recebendo pena convertida em serviços comunitários. Ele não se manifestou sobre o caso de Gabriel, enquanto Ana Paula pediu desculpas, negando ter agido de forma racista. Gabriel se mudou do prédio onde morava, temendo pela sua segurança, e contou com acompanhamento policial para retirar seus pertences.


