Grupos de homens têm atuado em fóruns de internet e redes sociais para estimular hierarquias de gênero e ódio contra as mulheres. Esses espaços e discursos, segundo especialistas, são combustíveis para ações concretas de violência, como o recente caso de estupro coletivo contra uma adolescente no Rio de Janeiro.
Ativistas e pesquisadores veem esses movimentos como parte de um fenômeno estrutural chamado ‘misoginia’, que é o ódio contra as mulheres e a defesa da manutenção de privilégios históricos para os homens. Grupos misóginos utilizam códigos comuns para se comunicar e difundir suas ideias, empregando o termo ‘misandria’ para descrever um suposto movimento de ódio contra homens.
Em resposta ao feminismo, que defende a igualdade de direitos, adotam o ‘masculinismo’, que prega uma ‘masculinidade tradicional’. A feminista e ativista Lola Aronovich tem sofrido ataques misóginos desde 2008, quando criou o blog ‘Escreva Lola Escreva’. Ela relata que os agressores têm um perfil semelhante: ‘São homens héteros, de extrema direita, que apoiam lideranças como Bolsonaro e Trump’.
“‘Esses homens sempre carregam um combo de preconceitos. Não são apenas machistas. São também racistas, homofóbicos, gordofóbicos, xenófobos, capacitistas’, afirma Lola.”
Entre os termos utilizados por grupos misóginos, destacam-se:
- Machosfera: engloba fóruns e canais voltados para a defesa da masculinidade tóxica e o ódio às mulheres.
- Incels: homens que se consideram celibatários involuntários e culpam as mulheres por sua falta de relacionamentos.
- Redpill: termo que descreve homens que acreditam ter ‘despertado’ para uma realidade em que as mulheres manipulam os homens.
- MGTOW: homens que se afastam de relacionamentos com mulheres, alegando injustiças sociais.
- Pick Up Artists (PUA): homens que utilizam técnicas para manipular mulheres.
Além disso, existem arquétipos como Chad, o homem idealizado, e Beta, o homem comum, que é frequentemente ridicularizado. Termos como Hypergamy e AWALT são usados para estereotipar comportamentos femininos, enquanto Femoids é uma gíria ofensiva que desumaniza as mulheres.

