A intensificação dos ataques entre Israel e Irã ameaça transformar o Oriente Médio em uma ‘terra arrasada’, com impactos que devem perdurar muito além do fim das hostilidades. A avaliação é de Ali Vaez, diretor do projeto Irã do International Crisis Group (ICG).
Vaez aponta a existência de um ciclo de escalada onde ambos os lados tendem a endurecer suas ofensivas. ‘Certamente estamos em um ciclo de escalada, e é muito provável que vejamos ambos os lados intensificarem os ataques um contra o outro’, disse Ali Vaez. Quanto mais intensos forem os tiroteios e quanto mais prolongado for o conflito, maior a chance de que as consequências ‘persistam’ mesmo após um eventual cessar-fogo.
‘A menos que um dos lados decida recuar, a situação certamente vai piorar’, acrescentou. O conflito atual apresenta paralelos com a crise do petróleo de 1973, mas com potencial de danos amplificados devido à interconexão da economia moderna.
Especialistas alertam que o controle do Estreito de Ormuz pelo Irã — por onde circula 20% do petróleo mundial — pode elevar o preço do barril para patamares entre US$ 150 e US$ 200. Além do combustível, o mercado de seguros marítimos enfrenta instabilidade, com a aplicação da cláusula de ‘Risco de Guerra’ podendo elevar os prêmios em até 2.000%.
O governo iraniano, por sua vez, descartou qualquer possibilidade de diálogo imediato. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que não há espaço para negociações enquanto a ‘agressão militar’ de Israel e dos Estados Unidos persistir, focando exclusivamente em uma resposta decisiva.
A nomeação de Mojtaba Khamenei como novo Líder Supremo é interpretada como um ato de desafio, sinalizando a continuidade da política de resistência e o fortalecimento dos laços militares com a Rússia, que tem fornecido inteligência estratégica sobre a movimentação de tropas americanas.


