Nos dois primeiros meses de 2026, o Espírito Santo registrou mais de 2 casos por dia de estupro de vulnerável. Foram 143 registros, sendo 88 em janeiro e 55 em fevereiro, segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp).
O estupro de vulnerável, conforme o Código Penal, consiste na conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com alguém que não tem capacidade de consentir ou resistir ao ato. Essa incapacidade pode ser devido à idade, ao estado de saúde da vítima ou a outra causa, como embriaguez.
Em 75,5% dos casos registrados no estado, o que corresponde a 108 deles, o crime foi cometido contra crianças e adolescentes de até 14 anos. As idades mais recorrentes das vítimas foram: 3 anos (13 casos); 11 anos (13 casos); 12 anos (17 vítimas); e 13 anos (23 registros).
Os casos de estupro de vulnerável costumam ocorrer com mais frequência dentro de casa e contra meninas e mulheres. Do total, 57,3% dos crimes foram registrados em residências e 81,8% das vítimas são do sexo feminino.
As cidades que mais registraram estupros de vítimas incapazes de resistir ao ato foram Serra, com 15 casos; Vila Velha, 11; Vitória, 10; Colatina, 8; e Linhares, 7. Aracruz, Brejetuba, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica e Sooretama registraram 6 casos cada uma.
Em comparação com os dois primeiros meses de 2025, a redução nos casos é de 25%. No ano passado, em janeiro e fevereiro, foram 193 registros, 50 a mais. Ao longo de todo o último ano, foram 1.155.
Os dados sobre os autores do crime não são divulgados coletivamente, mas o titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegado Marcelo Cavalcanti, traçou o perfil majoritário dos abusadores. Segundo ele, a violência muitas vezes é cometida por pessoas que deveriam proteger as vítimas, como pais, irmãos e tios.
““O ambiente doméstico, que é um espaço de proteção da criança e do adolescente, acaba sendo o local onde ocorrem esses crimes”, disse o delegado.”
Marcelo Cavalcanti também destacou que a escola tem um papel fundamental na identificação de possíveis vítimas. Educadores podem perceber mudanças no comportamento e queda no desempenho escolar.
““As vítimas acabam mudando o comportamento. Elas ficam mais retraídas, o desempenho escolar cai, a criança fica com atos sexualizados incompatíveis com a idade dela”, explicou o delegado.”


