Estudante haitiana denuncia discriminação ao tentar embarcar para a Europa

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A estudante haitiana Ruth Lydie Joseph, de 32 anos, foi impedida de embarcar em dois voos para a Europa pela companhia aérea Latam no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Ela relata ter sofrido discriminação durante a abordagem.

Ruth, que mora no Brasil desde 2020 em Foz do Iguaçu, Paraná, possui visto humanitário e participa de um programa de mobilidade acadêmica para a Philosophical Faculty da University of Hradec Králové, na República Tcheca, onde fará um intercâmbio até junho deste ano.

No dia 10 de março, a estudante chegou ao aeroporto para embarcar em um voo com destino a Praga, com escala em Frankfurt. Enquanto estava na fila para despachar as bagagens, um segurança da Latam confiscou suas etiquetas de bagagem e começou a fazer diversas perguntas sobre sua viagem.

“”Ele pediu meu passaporte e documento de identidade. Achei que ele queria fazer meu check-in. Ele começou a me fazer perguntas como o que eu estava fazendo no Brasil, há quanto tempo eu morava aqui e o que eu ia fazer em Praga”, disse Ruth.”

Ruth afirmou que o segurança piorou a situação na frente de todos e disse que ela não poderia viajar, confiscando suas passagens. Ela perdeu o primeiro voo e informou que a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) estava tentando intervir no caso.

Após a confusão, Ruth remarcou sua viagem para o dia seguinte, 11 de março, em um voo para Praga com escala em Lisboa. No entanto, ela perdeu essa segunda tentativa devido ao curto tempo para emissão do novo cartão de embarque.

“”O avião decolou às 5h10. No bilhete, estava escrito 5h40. O processo de embarque demorou muito e me entregaram o bilhete com muito atraso”, relatou a estudante.”

Ruth permaneceu no aeroporto sem assistência até que o Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC) foi acionado pela Unila. A advogada do CDHIC, Kathelly Menezes, destacou a gravidade do caso.

“”O CDHIC vê com preocupação esse episódio, que revela um grave descaso e desrespeito com a comunidade migrante e refugiada que escolheu o Brasil para reconstruir sua vida”, afirmou Kathelly.”

Na noite de quinta-feira, Ruth foi informada de que seu voo havia sido remarcado para segunda-feira, 16 de março, com escala em Madri. O CDHIC continuará acompanhando o caso.

Compartilhe esta notícia