Ex-sargento é inocentado novamente pela morte de adolescente no Acre

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O ex-sargento da Polícia Militar do Acre, Erisson de Melo Nery, foi absolvido novamente pela morte de Fernando de Jesus, de 13 anos, ocorrida em 2017. O novo julgamento aconteceu na quinta-feira, 5 de março de 2026, na 1ª Vara do Tribunal do Júri.

O advogado de Nery, Janderson Soares, confirmou a absolvição e explicou que o novo júri foi marcado após um recurso da defesa. Segundo ele, o primeiro julgamento teve nulidades graves, reconhecidas pelo Tribunal de Justiça, que decidiu anular a decisão anterior. “Esse novo júri é uma oportunidade do caso ser devidamente resolvido a partir de um julgamento justo e sem ilegalidades”, afirmou.

A mãe do adolescente, Ângela Maria de Jesus, expressou confiança de que o ex-militar será condenado novamente e pediu uma pena maior: “Dessa vez, que pegue uma pena maior”, disse.

Em maio de 2025, os desembargadores do Tribunal de Justiça do Acre anularam a sentença que havia condenado Nery a oito anos de prisão em regime semiaberto pela morte de Fernando. A decisão foi tomada após um recurso da defesa, que alegou que o Ministério Público utilizou provas que não estavam nos autos, comprometendo a justiça do julgamento.

Os advogados de Nery argumentaram que houve violação ao contraditório e à ampla defesa, o que configurou cerceamento de defesa. Eles pediram a anulação do julgamento e a realização de um novo júri.

No julgamento anterior, Nery havia sido condenado a oito anos de prisão, e o outro réu, Ítalo de Souza Cordeiro, foi absolvido do crime de fraude processual. Nery já respondia ao processo em liberdade, e a decisão judicial indicou que não havia elementos que justificassem a custódia preventiva.

A condenação de Nery incluiu um aumento de um terço na pena, devido ao fato de o crime ter sido cometido contra uma pessoa menor de 14 anos. A sentença destacou as consequências emocionais que a morte de Fernando trouxe à sua família.

O homicídio ocorreu no dia 24 de novembro de 2017, quando Nery disparou pelo menos seis tiros contra o adolescente, alegando que estava fazendo justiça com suas próprias mãos. Após o crime, Nery e Cordeiro teriam alterado a cena do crime para alegar legítima defesa.

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