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Meio Ambiente

Fernando de Noronha registra queda no número de desovas de tartarugas marinhas

Amanda Rocha
Última atualização: 12 de março de 2026 07:15
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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Pesquisadores registraram uma queda no número de desovas de tartarugas marinhas em Fernando de Noronha. Até a quarta-feira (11), foram identificados dez ninhos da tartaruga-verde (Chelonia mydas) na ilha. No mesmo período do ano passado, haviam sido contabilizadas 451 desovas.

A espécie costuma iniciar o período reprodutivo no fim do ano. A coordenadora da Fundação Projeto Tamar, Rafaely Ventura, afirmou que pesquisadores ainda analisam as causas da redução. Segundo ela, o fenômeno não ocorre apenas na ilha, mas também em outras áreas do Atlântico Sul, como a Ilha de Trindade e o Atol das Rocas.

Os estudiosos analisam diferentes hipóteses para explicar a queda. Rafaely Ventura lembrou que a temporada passada foi recorde no Brasil, com 805 ninhos registrados em Noronha, a maior quantidade em mais de 40 anos de monitoramento. “A temporada passada pode ter concentrado dois ciclos reprodutivos em um só período. Por isso tivemos um número tão alto de ninhos. Nesta temporada, a quantidade pode ser menor porque algumas tartarugas podem ter adiantado e desovado antes”, explicou.

O monitoramento das tartarugas em Noronha é feito pela Fundação Projeto Tamar em parceria com o Centro Tamar, órgão ligado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O pesquisador do Centro Tamar, Renan Lousada, também considera a possibilidade de dois ciclos reprodutivos concentrados em uma única temporada.

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Outra hipótese em estudo é a adaptação das tartarugas às mudanças climáticas, que poderia estar retardando o pico de desovas. “Os animais podem optar por desovar mais tarde, durante o período chuvoso em Fernando de Noronha, quando as temperaturas costumam ser mais baixas”, explicou Renan Lousada.

Os estudos também mostram que a temperatura influencia o sexo dos filhotes. “Acima de 29 °C, a tendência é o nascimento de fêmeas. Abaixo dessa temperatura, aumenta a proporção de machos nos ninhos. As tartarugas podem buscar um equilíbrio populacional”, afirmou.

O pico da temporada de nascimento em Noronha costuma ocorrer no período chuvoso. Neste ano, porém, o inverno ainda não começou na ilha. A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) prevê que as chuvas de 2026 devem se intensificar nos meses de abril e maio, quando a temperatura deve cair.

Pesquisas em Fernando de Noronha também apontam aumento no número de tubarões-tigre, predadores naturais das tartarugas. Mesmo assim, os estudiosos descartam que a redução de ninhos esteja ligada à recuperação da população desses animais. “Descartamos que os tubarões-tigre sejam a causa da redução de ninhos. A espécie pode se alimentar de tartarugas, mas o interesse não é tão grande quanto se imagina”, afirmou Renan Lousada.

TAGGED:Centro TamardesovasFernando de NoronhaFundação Projeto TamarInstituto Chico Mendes de Conservação da BiodiversidadeMeio Ambientemudanças climáticasPernambucoRafaely VenturaRenan Lousadatartarugas
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