As forças militares israelenses anunciaram nesta quinta-feira (12) a retirada das acusações contra cinco soldados acusados de abusar sexualmente de um detento palestino. O incidente ocorreu em 29 de julho de 2024, na prisão militar de Sde Teiman, e teria sido parcialmente filmado.
A decisão encerra um caso que gerou intensa divisão no país desde a detenção dos soldados. A prisão provocou protestos de membros do governo de extrema direita e de ultranacionalistas radicais, que invadiram a instalação em reação às prisões.
O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, comemorou a decisão, enquanto grupos de direitos humanos criticaram os militares por supostamente acobertarem um dos casos mais graves de abuso nas prisões israelenses durante a guerra.
A prisão de Sde Teiman foi criada após 7 de outubro de 2023, para abrigar palestinos detidos em Gaza durante o conflito com o Hamas. Desde então, a instalação ganhou notoriedade devido a alegações de abuso e tortura.
As acusações contra os soldados incluíam arrastar o palestino pelo chão, eletrocutá-lo e agredi-lo sexualmente, resultando em múltiplos ferimentos. A vítima foi hospitalizada com costelas fraturadas e passou por cirurgia para tratar uma perfuração retal.
Os procuradores militares justificaram a retirada das acusações afirmando que o vídeo não mostrava abusos violentos suficientes para uma condenação e que a vítima havia sido libertada e retornado a Gaza, criando incertezas sobre seu testemunho.
“”O procurador-geral militar de Israel acaba de dar licença para que seus soldados estuprem – contanto que a vítima seja palestina”, disse Sari Bashi, diretora-executiva do Comitê Público Contra a Tortura em Israel.”
Netanyahu criticou a investigação, afirmando que “o Estado de Israel deve perseguir seus inimigos, não seus heróis combatentes”. O caso resultou na demissão da principal assessora jurídica militar na época das prisões. Em novembro de 2025, a Procuradora-Geral Militar Yifat Tomer-Yerushalmi admitiu ter aprovado o vazamento do vídeo que mostrava os supostos abusos, levando à sua renúncia.
Israel enfrenta críticas por não responsabilizar seus soldados por crimes contra palestinos, especialmente durante a guerra em Gaza. O país afirma que suas forças operam dentro da lei militar e internacional e que investigações são realizadas sobre quaisquer alegações de abuso.


