Sayonara da Silva, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio em Apucarana, Paraná, enviou uma carta à sua cerimônia de formatura em Administração, que foi lida por uma professora. A formatura ocorreu em 27 de fevereiro de 2026. Sayonara, que está escondida devido à ameaça de seu ex-companheiro, Ademar Augusto Crepe, expressou em sua carta as dificuldades enfrentadas por mulheres que rompem ciclos de violência.
No texto, ela afirmou: ‘Minha ausência nesta festa não é uma escolha, é reflexo da falha de um sistema que ainda obriga a vítima a se esconder enquanto o agressor desfruta da liberdade’. Sayonara lamentou sua ausência, ressaltando que sua presença física foi roubada por conta da violência que sofreu. Ela destacou que o homem que tentou apagar sua vida e a de seu filho continua livre.
A Unespar, instituição onde Sayonara estudou, emitiu uma nota de apoio, afirmando que a mulher rompeu um ciclo de violência e buscou, através da educação, construir um projeto de vida autônomo. A promotora Mariana Bazzo comentou sobre a dificuldade que as mulheres enfrentam ao lidarem com o trauma de ver como agressor alguém em quem confiaram.
O Observatório de Feminicídios Londrina (Néias) enfatizou que a sensação de vulnerabilidade e impunidade afeta as vítimas, que lidam com as consequências de ameaças e perseguições. Especialistas afirmam que a quebra do ciclo de violência é um processo que requer acompanhamento profissional e políticas públicas adequadas.
Na carta, Sayonara pediu que seus colegas celebrassem por ela, afirmando: ‘Eu venci a faculdade. Eu venci o silêncio. E, junto com meus filhos, continuarei vencendo todos os dias’. Ela enfatizou que estudar é um ato de resistência e pediu que sua ausência servisse como um lembrete da necessidade de um mundo onde nenhuma mulher precise faltar à própria vitória para garantir o direito de continuar viva.
Ademar Augusto Crepe, principal suspeito da tentativa de feminicídio, está foragido. Em 10 de fevereiro, o carro de Sayonara foi interceptado por uma caminhonete, levando a um acidente que quase resultou em sua morte. A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva de Ademar, que foi aceita pela Justiça, mas ele permanece foragido até o momento.
O Paraná registrou 87 feminicídios em 2025, conforme o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). A Central de Atendimento à Mulher está disponível 24 horas pelo telefone 180.


