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Ciência

Fotógrafo registra canto do uirapuru em Rondônia, ave que canta apenas 15 dias por ano

Amanda Rocha
Última atualização: 15 de março de 2026 09:00
Amanda Rocha
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Tempo: 3 min.
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Um fotógrafo registrou o canto do uirapuru em Porto Velho, Rondônia. Essa ave, considerada uma das mais enigmáticas da Amazônia, canta apenas entre 12 e 15 dias por ano.

O uirapuru é discreto e difícil de ser visto, além de ser raro de ser ouvido. No folclore amazônico, a ave é retratada como um guerreiro que caminhava pela floresta tocando sua flauta de bambu.

No vídeo gravado pelo pesquisador Luis Morais, é possível ouvir o canto do uirapuru, que é considerado um dos maiores tesouros sonoros da mata. Segundo o biólogo e professor Guilherme Marietto, especialista em aves, o som é melodioso e doce, lembrando uma flauta.

““Ele alcança notas complexas e muito impressionantes. É um canto que realmente chama atenção”, explicou.”

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O canto do uirapuru ocorre apenas durante o período de reprodução, que vai de setembro a outubro. Após encontrar uma fêmea, o macho se cala e só volta a cantar no ciclo seguinte.

Não há diferença visível entre macho e fêmea, sendo a identificação possível apenas pelo canto, já que somente os machos produzem o som. Ouvir o uirapuru é um privilégio raro, pois a ave vive em matas maduras e fechadas, ambientes escuros e de difícil acesso.

Extremamente sensível a mudanças, o uirapuru abandona o local até mesmo quando uma árvore cai e abre uma clareira. Sua plumagem discreta se confunde com o chão da floresta, tornando a observação quase impossível.

A espécie registrada no vídeo é o uirapuru ferrugíneo, que ocorre em Rondônia, Amazonas e Acre, além de regiões do Peru e da Bolívia. Apesar das dificuldades em estudá-lo, especialistas acreditam que o tamanho da floresta amazônica ajuda a proteger a espécie de ameaças diretas de extinção.

Guilherme Marietto comenta que ainda há muito a ser descoberto sobre o uirapuru, pois não se sabe como é o ninho, quantos ovos coloca ou se o macho permanece com a fêmea após a reprodução. Essa falta de informações reforça o mistério em torno da ave e alimenta lendas populares, como a de que “quando o uirapuru canta, todos os outros pássaros se calam”.

TAGGED:AmazôniaAvesBiodiversidadeCiênciaGuilherme MariettoLuis MoraisPorto VelhoRondôniaUirapuru
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