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Justiça

Gonet defende no STF a volta de resolução do CFM que proíbe aborto

Amanda Rocha
Última atualização: 6 de março de 2026 12:14
Amanda Rocha
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Tempo: 2 min.
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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou um parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando o restabelecimento de uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proíbe a realização de abortos após 22 semanas de gestação, mesmo em casos permitidos pela legislação brasileira.

Gonet argumentou que “há desenvolvimento humano, segundo a própria ciência médica, desde a fecundação”. A resolução foi levada ao STF pelo PSOL e o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, a suspendeu. A normativa do CFM prevê punições aos médicos, mesmo nos casos em que o aborto é permitido, como em situações de estupro, anencefalia do feto ou risco de vida para a mãe.

O julgamento do caso ainda não ocorreu. No STF, há outra ação sobre a descriminalização do aborto, que é distinta dessa. Gonet afirmou: “É preciso ter presente que há desenvolvimento humano, segundo a própria ciência médica, desde a fecundação. A partir daí já há um indivíduo único, diferenciado da mãe e do pai, com código genético próprio, distinto e exclusivamente seu.”

Ele destacou que há vida humana a ser protegida como direito fundamental e que isso não pode ser ignorado ao se discutir questões relacionadas ao aborto. Gonet também acolheu o argumento do CFM de que o método da assitolia fetal seria “cruel” e causaria sofrimento ao nascituro.

“Ainda que se quisesse ver uma pretensão exigível ao aborto no caso do estupro, isso não tolheria o dever-direito do Conselho de recusar o uso de técnica que, ao seu juízo técnico, é cruel para com o ainda não nascido que já se desenvolveu por mais de 5 meses no ventre materno”, disse Gonet.

O documento enviado ao STF tem caráter opinativo. Os ministros podem considerar os argumentos de Gonet, mas não são obrigados a segui-los. Até o momento, não há data marcada para o julgamento do processo.

TAGGED:AbortoAlexandre de MoraesConselho Federal de MedicinaPaulo GonetProcuradoria-Geral da RepúblicaPSOLSupremo Tribunal Federal
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