A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) publicou nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, uma resolução que reestrutura o setor de compliance da pasta. O objetivo é combater a corrupção nas corporações policiais.
O decreto, assinado pelo secretário Osvaldo Nico Gonçalves, visa mitigar conflitos de interesses, assédios e fraudes nas polícias. A medida ocorre 11 dias após a Operação Bazaar, que desvendou um esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro na Polícia Civil.
A Operação Bazaar, realizada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público de São Paulo, resultou na prisão de nove pessoas no dia 5 de março, incluindo quatro policiais civis. Esses policiais foram acusados de receber dinheiro para fraudar investigações.
A Unidade de Gestão de Integridade (UGI/SSP), criada em junho de 2023, é responsável pela elaboração e execução do Programa de Integridade das polícias Civis, Militares e Penal. No decreto, o secretário nomeou nove pessoas da SSP para implementar as mudanças necessárias no combate à corrupção.
Entre os novos membros da UGI/SSP estão quatro delegados da Polícia Civil, três capitães da Polícia Militar e dois peritos criminais. A resolução foi publicada no Diário Oficial de São Paulo.
A Operação Bazaar revelou que delegacias especializadas estavam sendo utilizadas como balcões de negócios para garantir a impunidade de criminosos. A investigação identificou um esquema em que agentes públicos obstruíam investigações e extorquiam investigados.
O juiz Paulo Fernando Deroma de Mello destacou que houve uma “subversão ao dever funcional” por parte dos policiais envolvidos. A Justiça decretou 11 prisões preventivas e autorizou 23 mandados de busca e apreensão em diversos locais.
Os métodos utilizados para ocultar a origem da propina incluíam a conversão de dinheiro vivo em créditos de vale-refeição, utilizando estabelecimentos comerciais fictícios. As investigações apontaram valores milionários, incluindo uma transferência de R$ 33 milhões e relatos de propinas que ultrapassavam R$ 20 milhões.
Entre os presos estão o delegado João Eduardo da Silva, o escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz e os investigadores Roldnei Eduardo dos Reis Baptista e Rogério Coichev Teixeira, além de advogados e doleiros conhecidos por seus vínculos com a Operação Lava Jato.
A SSP informou que a Corregedoria da Polícia Civil está participando da ação e que apurações rigorosas estão sendo realizadas nas unidades onde houve buscas. O governador Tarcísio de Freitas, atualmente em viagem à Alemanha, foi representado pelo governador em exercício, Felicio Ramuth, que classificou o esquema como “pontual”.


