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GPA anuncia plano de recuperação extrajudicial para reestruturar dívida de R$ 4,5 bilhões

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A gigante do varejo GPA (Grupo Pão de Açúcar) anunciou nesta terça-feira (10) um acordo com seus principais credores para a apresentação de um plano de recuperação extrajudicial. A medida visa a reestruturação da dívida de R$ 4,5 bilhões.

Especialistas do setor levantam questões sobre os impactos dessa decisão nos investimentos e na operação da empresa. Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, explica que a recuperação extrajudicial é um passo anterior à judicial, que é mais formal e envolve maior intervenção da Justiça. ‘A recuperação judicial é um rito muito mais complexo. Ela precisa sempre ter um interventor e um espaço de proteção legal. A recuperação extrajudicial, por sua vez, tem como objetivo costurar um acordo entre os principais credores para reestruturação da dívida’, afirma.

Daniela Correa, advogada especializada em Direito Empresarial, considera a medida positiva, pois tende a preservar a empresa e suas operações. ‘Entrar com recuperação extrajudicial não significa que a empresa terá suas atividades inoperantes. Pelo contrário, o intuito é fazer com que a empresa se recupere financeiramente e tenha condições de continuar aberta’, resume.

O GPA informou que suas lojas continuarão operando normalmente. ‘Suas operações são saudáveis, e a Companhia está em dia com suas obrigações junto a fornecedores, clientes e parceiros, os quais estão excluídos e não serão afetados pelo processo de recuperação extrajudicial’, declarou a empresa.

Arthur Horta, sócio da Link Investimentos, destaca que a decisão do GPA é uma etapa prévia à recuperação judicial, permitindo uma negociação mais flexível entre as partes. Ele observa que a medida não foi uma surpresa, já que a empresa enfrentava o vencimento de uma dívida importante no primeiro semestre deste ano. ‘Essa medida foi uma estratégia para que a GPA tenha mais fôlego e consiga gerar caixa pra fazer os pagamentos posteriormente’, avalia.

Os resultados financeiros do quarto trimestre de 2025, divulgados no fim de fevereiro, mostraram que o GPA registrou prejuízos significativos, apesar de uma melhora em relação ao trimestre anterior. As vendas somaram R$ 5,5 bilhões, enquanto os custos operacionais atingiram R$ 3,6 bilhões e as despesas operacionais chegaram a R$ 1,5 bilhão, resultando em um prejuízo de R$ 572 milhões.

Tozzi aponta que os principais credores do GPA são os bancos e que a recuperação extrajudicial oferece mais tempo para reestruturar as dívidas que vencem ainda neste ano. Com 46% dos credores de acordo, o Pão de Açúcar consegue adiar o pagamento dessas dívidas, beneficiando tanto a empresa quanto os credores.

Tozzi enfatiza que uma recuperação extrajudicial não é o fim para uma empresa, mas sim um pedido formal de tempo para o mercado. Horta concorda, afirmando que o mercado costuma receber esses pedidos de forma positiva, pois a empresa ganha fôlego de caixa. Contudo, ele expressa preocupação com possíveis diluições da base acionária, que podem impactar negativamente as ações da GPA. Por volta das 11h30, os papéis da rede varejista apresentavam queda de pouco mais de 3% no Ibovespa.

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